Ariovaldo Ramos
Protegendo a infância para proteger tudo
Ariovaldo Ramos
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O segredo de agradar a Deus.
José Fulano de Tal morreu ontem. Pobre homem! Consciente dos seus deveres, nunca atrasou no relógio de ponto. Jamais perdeu um trem. Era impensável que acelerasse no sinal amarelo. Correto, pagou todas as suas prestações na data exata. Vestiu a mesma camisa até puir o colarinho. Sempre elegeu o candidato que votou. Leu o jornal diariamente. Teve um enterro comedido, sem muita emoção, parecido como a sua existência."Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu
vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz" Eclesiastes 9.7.
José Fulano de Tal foi assíduo membro de uma igreja. Submeteu-se aos regulamentos e exigências de sua religião - seu maior desejo na vida era agradar a Deus. Trabalhou incansavelmente nos mutirões do bairro. Contribuiu com entidades filantrópicas. Em sua última jornada, os amigos, parentes e curiosos caminharam circunspetos pelas alamedas do cemitério. Despediam-se de um homem que não conseguiu viver.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar, mas gostar mesmo, de poesia. No poema, a palavra ganha ritmo para sincronizar-se com o pulsar do universo. E nessa magnífica, porém silenciosa palpitação, ressoa a voz do Divino.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta achar tempo para ouvir música. Quando melodia e rima se acasalam, nasce a sublime sonoridade do Paraíso. O Pai Eterno sorri quando seus filhos se aquietam para escutar os artesãos dos salmos, dos noturnos, das toadas, dos réquiens, das cantatas, das óperas, das polcas, do samba, dos hinos, dos recitais, dos corais, do jazz, da bossa-nova.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta amar os livros. É prazeroso para Deus, ver os filhos transcendendo para mundos imaginários através da prosa, da narrativa. Os romances dissecam a alma humana, enaltecem a virtude, expõem a crueldade e quando não sofrem censura, descrevem a realidade crua da vida.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta transformar cada refeição em um ágape, cada aperto de mão em uma aliança e cada abraço em uma declaração de amor.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta deixar-se conduzir por um vento desatento, rumo ao horizonte inatingível; e esperar por um porvir insubstancial. Já que Deus gosta de prados selvagens e de matas sem cercas, viver é arriscar-se. Deus sabe desenhar o arco-íris com as gotas do ribeiro que despenca no precipício. Portanto, só vive quem não teme esvaecer.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar de vinho, de doce de leite, de tapioca com manteiga, de filme de amor, de esporte, de meia hora de sono extra no feriado, de bolo de milho, de cafuné, de beijo, de viagem de férias com dois dias sobrando para descansar do descanso.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta chamar Deus de Pai ou de Mãe.
Ricardo Gondim
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Comercial JAPP chocolate bar - Muito engraçado!
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Igreja: Oásis, Deserto ou Campo de Batalha?
Sinto-me abençoado, porque a primeira imagem foi aquela por mim vivenciada em mais de dois terços da minha existência. Aos 6 anos, com as classes de preparação para a Primeira Comunhão, passei a me integrar à vida da Paróquia de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, Alagoas, dirigida pelo austero, sábio e humano monsenhor Clóvis Duarte. Meu primo Gerilo era seminarista, e eu fui me entrosando com outras crianças, depois adolescentes, jogava futebol no campinho atrás da Igreja, fui ficando assíduo às missas dominicais (diárias nas férias) e a outras atividades religiosas e sociais. Minha vida passou a girar em torno da Paróquia, sem me descuidar dos estudos e do bate bola. Meus últimos dois anos como católico romano praticante foi na Capela de Fátima, do Colégio Nóbrega, dos jesuítas, onde estudava, no Recife. Tive minhas crises religiosas, passei por uma experiência pessoal de conversão aos 16 anos, deixei a Igreja de Roma aos 18, mas a memória da vida paroquial permanece, até hoje, como positiva. Como comunidade de fé, foi meu primeiro oásis.
Foi muito boa a experiência da primeira Igreja protestante que freqüentei: a Presbiteriana Central de Garanhuns, PE, dirigida, então, pelo Rev. Henrique Guedes, quando aluno interno do Colégio XV de Novembro. Quando deixei a Igreja de Roma, me filiei à Paróquia de Casa Amarela, Recife, da Igreja Luterana (IELB), (reverendos Vilfredo Becker e Geraldo Stanke), onde permaneci por doze anos, aprendendo a Bíblia, a Sã Doutrina, a História da Igreja, a Ética Cristã em um ambiente fraterno e de muito respeito pela individualidade e pela privacidade de cada fiel. Ali integrei o Conselho, fui evangelista, candidato às Sagradas Ordens, com um mínimo de tensões, e muita alegria espiritual. Como o culto luterano era pela manhã, nas noites dos domingos freqüentava a Primeira Igreja Presbiteriana (Rev. Benedito Matos) e a Igreja Batista da Capunga (Pr. Munguba Sobrinho). Nas férias escolares, uma outra Igreja "complementar" era a Batista de União dos Palmares, onde colaborava, eventualmente, com a Batista Renovada e a Adventista do Sétimo Dia. Isso permaneceu até eu me formar. Foram todas, abençoados oásis para mim!
Durante dez anos e meio (1968-1978) fui assessor da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABU), viajando por vários Estados, ministrando em uma ampla gama de Igrejas de várias denominações, ou visitando-as em um trabalho de "relações públicas". Foi um tempo de muito trabalho e de muitas bênçãos. Quando aluno de mestrado no Rio de Janeiro (1974-1975), já saindo da Igreja Luterana (por divergências tópicas) Miriam e eu nos congregamos na Igreja Batista de Icaraí, em Niterói (Pr. Josué dos Santos), chamada carinhosamente pelos muitos estudantes que a freqüentavam de "Igrejinha". A essa altura já estava envolvido com a Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), a Aliança Evangélica Mundial (WEF) e com o Movimento de Lausanne (LCWE). Foram novos oásis!
Regressei ao Recife (1976) continuando como assessor da ABU, me filiei à Paróquia da Santíssima Trindade, da então Igreja Episcopal Brasileira (IEB) (Rev. Paulo Garcia, pastor; Revmo. Edmundo K Sherril, Bispo), vivendo sua primeira "dispensação" a evangélica. Miriam havia se filiado à Igreja Batista da Capunga (Pr. Manfred Grellert). E, por alguns anos, cada um ia para sua Igreja pela manhã, e alternávamos os domingos à noite. De fato, estávamos em duas Igrejas, e sem problemas. Como assessor da ABU continuava meu périplo, e, nesse tempo, guardo gratas recordações da Igreja Evangélica Pentecostal "O Brasil Para Cristo", de Boa Viagem (Pr. José Alves), aonde íamos alguns sábados à noite, participando, inclusive, de pregações ao ar livre na praça do aeroporto.
Na Igreja Anglicana fui Leitor (Ministro Leigo), professor de Escola Bíblica Dominical, membro de Junta Paroquial, postulante e candidato às Sagradas Ordens, e, finalmente, clérigo ordenado, como Diácono (1984), e Presbítero (1985). A essa altura, já estava com 41 anos de idade, e somente havia conhecido oásis eclesiásticos. Ao mesmo tempo, todo o ensino que eu tinha na cabeça sobre "tribulações" e "aflições" apenas se referia ao "mundo", nunca à Igreja. Tempo inocente. Tempo de muito idealismo e otimismo. Mas... e, há sempre um "mas"... em breve conheceria o "deserto".
Robinson Cavalcanti
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Um dia - Mário Quintana (Legendado)
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Ateus batem na porta das religiões
Segundo Wilson, nos últmos séculos, os seres humanos, no seu afã de construir bem estar e de se enriquecer, exploraram de forma tão persistente e sistemática o planeta Terra, que começou, como conseqüência, a sexta extinção em massa. Abstraindo dos meteoros rasantes que devastaram o planeta mais ou menos a cada cem milhões de anos, a Terra nunca conheceu um ataque tão poderoso como o que está ocorrendo atualmente. Diz-nos Wilson:”no momento, a taxa global de extinção das espécies supera o nascimento de novas espécies numa proporção de pelo menos cem por um e logo vai aumentar para dez vezes mais do que isso”(p.98).
O causador desta desvastação é o ser humano que se transformou numa verdadeira força geofísica destruidora: alterou a atmosfera e o clima da Terra, difundiu milhares de substâncias químicas tóxicas pelo mundo inteiro, represou quase todos os rios, transformou quase todas as terras em aráveis estando hoje vastamente desertificadas e nos encontramos perto de esgotar a água potável.
Sabemos que é a biodiversidade, especialmente, dos microorganismos, bactérias, fungos, pequenos invertebrados e insetos que garante as condições para que nossa vida humana possa continuar. Nós dependemos totalmente deles. A continuar nossa prática biocida, a partir dos meados deste século, começará a dizimação de nossa própria espécie. Ela não estará na lista das condenadas à extinção? Desta vez não dá para esperar dez milhões de anos para a Terra recuperar seu equilíbrio perdido. Nós temos que ajudá-la, do contrário, Gaia nos expulsará como um corpo letal.
É neste contexto que Wilson propõe Uma Aliança pela Vida. Convoca as duas forças que para ele são as mais poderosas do mundo: a ciência e a religião. Seu livro é na verdade uma carta aberta a um pastor evangélico, convidando-o a somar forças, a desmontar preconceitos, a construir valores que possam salvar a vida. Wilson se confessa um não crente, digamos um ateu, mas que fala sempre com reverência de Deus. Vai bater na porta da Igreja para pedir socorro. Diante de um perigo global, anulam-se as diferenças. Desta vez crente e não crente terão o mesmo destino. Mas ambos podem trabalhar juntos porque“os que hoje vivem na Terra têm de vencer a corrida contra a extinção das espécies, ou então serão derrotados – derrotados para sempre; eles conquistarão honrarias eternas ou o desprezo eterno”(p.115).
Ciência e religião devem mudar. A ciência até hoje não respeitou a alteridade dos seres. Colocou-se acima, dominando-os. A religião não se livrou ainda de seu fundamentalismo na leitura dos textos sagrados. Mantendo sua fé, pode reconhecer a evolução das espécies. Ela contribui com a reverência diante da grandeur do universo e com respeito diante de todas as formas de vida. Essa atitude converte o poder em proteção e cuidado. Essa aliança sagrada poderá salvar a vida ameaçada.
Leonardo Boff
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Metanoia
[Marcos 1.15]
Jesus inaugurou um novo tempo, o tempo de Deus, chamado período do reinado de Deus. Isso não significa que Deus estava distante e omisso em relação à história e às necessidades e angústias humanas. Significa, sim, que a maneira como Deus passa a agir e interferir na história e entre os homens se torna absolutamente distinta: agora Deus está entre nós. Jesus é Emanuel: Deus conosco.
A chegada do reinado de Deus exige arrependimento e fé. A palavra grega traduzida por “arrependimento” é “metanóia”, de “meta” = além, que transcende, e “nous” = mente, modo de pensar. Arrependimento é “expansão de consciência”: uma iluminação interior que acarreta tamanha transformação que se diz que o arrependido “nasceu de novo”. Ninguém consegue andar com Jesus sem crer na realidade do reina do de Deus, e qualquer que se submeta ao reinado de Deus permanece a mesma pessoa.
Ed René Kivitz
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Levitas na forca
– Isso é fácil. Meu irmão tem o dom de achar nomes legais na Bíblia.
Para muita gente do rebanho, a Palavra de Deus funciona como uma espécie de coleção de livros com múltiplas utilidades. O pastor vê o povo abatido e decide pregar sobre o valor da fé. Basta uma Chave Bíblica em mãos para literalmente abrir os textos que serão “encaixados” em sua mensagem dominical.
No ministério de música, o expediente é usada com pobreza similar. A escassez de referências neotestamentárias sobre música praticamente empurrou alguns para o Antigo Testamento. Com o mesmo tipo de método preguiçoso que caracteriza a preparação de mensagens de alguns pregadores, bastou pinçar um versículo ali e outros acolá para “restaurar” o ministério levítico.
A estratégia tem-se revelado bem-sucedida, afinal boa parte dos músicos não conhece o que toca, não analisa o que canta e não reflete sobre o que diz crer. A categoria tem uma garganta hipertrofiada que lhes permite deglutir heresias de calibre variados. Brigam com a liderança por causa de sapos minúsculos, mas abrem a boca (e a guarda) para engolir teorias pra lá de questionáveis.
A maioria dos pretensos levitas desconhece princípios elementares das Escrituras. Afinal, é bem mais fácil usar expedientes cômodos como empunhar um shofar ou batizar a banda com a palavra “arca”. Da aliança, não a de Noé, ressalte-se. Desconheço levitas que em suas igrejas exerçam função de juízes (Dt 17.8,9) ou sejam responsáveis por zelar pela saúde dos quem têm lepra (Dt 24.8), por exemplo.
Com uma espécie de toque de Midas ao contrário, para a tribo de incautos a Bíblia deixou de ser fonte de inspiração ilimitada para tornar-se mera camisa-de-força. Em “ministrações” lamurientas, há quem confesse querer “ir além do véu”. Na verdade, o tecido que lhes venda os olhos parece ser ainda mais espesso que aquele rasgado de cima a baixo no momento da morte do Senhor. O triste é que não temos Saramagos ou Meirelles para transformar esse tipo de cegueira em arte...
Ululante lembrar que o arcabouço frágil reflete-se na produção musical fugaz e medíocre. Em certas plagas, começam a aparecer soluções um tanto inusitadas para contornar o problema da falta de inspiração (e transpiração). No ano passado, uma Igreja Metodista de Chicago usou U2 durante a celebração da Ceia, repetindo o que havia acontecido em várias igrejas, incluindo a emblemática Hillsong Church, na Austrália.
No início de maio, o set list na igreja NewSpring Church incluía I surrender all (Tudo entregarei) e The best of you, do Foo Fighters. Aqui no Brasil, na semana seguinte as crianças da Ibab se prepararam para homenagear as mamães ao som de uma curta e elegante versão instrumental de Eu sei que vou te amar (Tom Jobim / Vinicius de Moraes).
Oro com fervor para que os levitas brasileiros jamais abracem esse tipo de estratégia. A julgar pelo mau gosto recorrente, certamente introduziriam nos cultos as obras poéticas de Sandy & Júnior e Amado Batista. Tarimbados em criar extravagâncias supostamente bíblicas, certamente evocariam o nome um tanto “eclesial” do cantor brega goiano. Gol contra para os presbiterianos que não têm seu “amado”. =]
Na década de 80, Steven Patrick Morrissey cantava sobre o pânico instalado nas ruas de Londres e de Birminghan. No final de Panic, canção do álbum Rank, a sentença contra os DJs era explicitada:
Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed D.J.
Porque as músicas que eles sempre tocam
Não me dizem nada sobre a minha vida
Enforquem o abençoado DJ
Tomo emprestado os versos dos Smiths para inspirar minha oração pelos levitas, rogando que Deus lhes abra os olhos do coração e as janelas da alma. No patíbulo, uma união simples já resolve tudo. Basta trocar “a corda” por “acorda”. Acooordem, levitas! Nossos ouvidos lhes serão eterna e ternamente gratos.
Sergio Pavarini
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Desvendar a mente de Deus
Seu princípio operacional baseia-se na famosa equação de Einstein - E=mc2 (E é energia; m, massa; c, velocidade da luz). A quantidade de energia concentrada numa porção de matéria equivale à sua massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz. A velocidade da luz é de 300 mil km por segundo.
Se a energia tem massa, 1 kg de carvão, convertido totalmente em energia, produziria 25 bilhões de quilowatt-hora (kwh) de eletricidade. Toda a energia elétrica gerada nos EUA, somada à do Brasil, não chega a 15% disso.
Antes de Einstein, ninguém supôs que energia e massa se igualassem. A constante c, aparentemente inofensiva, representa um número astronômico - o quadrado da velocidade da luz. Se extrairmos energia de uma colherada de água, ela será suficiente para que um transatlântico atravesse o Atlântico mil vezes.
O que se pretende com o acelerador de partículas é captar a energia primitiva que deu início ao Universo há 13,7 bilhões de anos - o Big Bang. Ele é como uma imensa serpente brotando de um pequeno balão de hidrogênio, cujas válvulas, controladas por computadores, liberam jatos de gás, como se fosse uma brincadeira de criança. No entanto, em cada um daqueles jatos há mais prótons do que a soma de todas as estrelas da Via Láctea.
As minúsculas nuvens de gás entram pela cavidade elétrica do gerador que separa os elétrons dos átomos de hidrogênio, como quem arranca o halo de luz de uma estrela, e lançam os prótons, primeiro, por um túnel de grande velocidade; em seguida, por um cano estreito como uma mangueira de jardim, mas com cerca de 5 km de extensão. Dentro desse anel os prótons são acelerados por pulsão provocada por eletroímãs, enquanto ímãs focalizadores os reúnem num feixe tão fino quanto a grafite de um lápis.
Ao atingir uma velocidade próxima à da luz, a massa inicial aumenta cerca de 300 vezes, graças à própria velocidade. Neste momento, são desviados do anel e lançados contra um alvo dentro de um detector. Seus rastros, captados pelo campo magnético do detector, revelam a identidade da partícula.
Os aceleradores seriam como estrelas mecânicas; sua temperatura, elevada a milhões de graus, pode fazer com que as partículas se movam tão rapidamente como no coração das estrelas. No anel do acelerador, prótons e antiprótons percorrem trajetórias opostas em velocidades próximas à da luz, colidindo um milhão de vezes por segundo - e, assim, fragmentando os átomos em suas partículas mais genuínas, entre as quais o quark top, o último dos seis tijolos fundamentais da matéria a ter sua existência comprovada, em 1995.
Quanto mais aperfeiçoado o acelerador de partículas, mais serão descobertas novas partículas. Assim, os cientistas se perguntam se algum dia essa "arqueologia" da matéria findará - ao se depararem com aquela partícula que seria, afinal, a mais elementar, base de todas as demais.
O acelerador nos aproxima do parto gerador do Universo. Para as nossas dimensões de tempo, alcançar o que sucedeu 1 centésimo de segundo após a Criação é fantástico. Que importa saber o que ocorreu 1 decimilibilionésimo de segundo antes que você decidisse piscar o olho, como fez agora? No entanto, quando se trata da evolução da matéria, cada fragmento de segundo é como um século para a história humana.
Sabe-se, hoje, o que teria ocorrido nos três primeiros minutos após a explosão do Ovo Primordial que continha todo o Universo, o Big Bang. Mas isto não basta, muitas outras coisas se passaram na fornalha original antes daquela fração de segundo.
O que a ciência procura é se aproximar do momento em que o átomo inicial não se conteve e, pleno, abriu-se como um botão de rosa que exibe pétalas em todas as direções. Assim, ficaremos sabendo um pouco mais a respeito das raízes de nossa universal e holística árvore genealógica.
O que fazia Deus antes de criar o Universo? A resposta foi dada por Santo Agostinho, no século IV: "Preparava o inferno para quem faz esse tipo de pergunta".
Quem aprecia culinária e gosta de pilotar um fogão saiba que os ingredientes da receita para fazer o Universo são simples: 76,5% de hidrogênio; 21,5% de hélio e 2% de outros elementos químicos.
De preferência, o cozinheiro deve ter mãos divinas.
Frei Betto
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Reverência ao destino
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Carlos Drummond de Andrade
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O que Deus diz quando nada diz?
Ninguém, entretanto, parece discernir que tais coisas apenas são significativas em razão do silencio.
Ora, o silencio é visto como a não-comunicação. Portanto, o que comunica, segundo sentimos, é o que o interrompe o poder angustiante do silencio.
Eu, todavia, a cada dia mais preciso do silencio como meio de comunicação. O silencio abre espaço para a comunicação. Afinal, sem silencio nada será comunicação.
O silencio, entretanto, é também mais que espaço e meio-condutor da possibilidade da comunicação.
Sim! O silencio passa a ser comunicação sempre que existe inflação de comunicação.
Ora, em tal caso, o silencio passa e ser o meio mais efetivo de comunicação, pois, na poluição das muitas comunicações, o que se comunica se esvazia de significado.
Portanto, é o silencio que re-significa os significados que foram esvaziados pelo excesso e pelo abuso do comunicar sem alma.
É por esta razão que se pode perceber a comunicação de Deus também na forma dos longos silêncios de Deus na História. Afinal, Deus fala sempre. Entretanto, fala demais quando não está falando nada.
A Revelação diz que em horas de algazarra na história Deus fala pelo silencio.
Quando o homem pergunta “Onde está Deus?” — Deus está falando. Sim! Está falando pelo silencio, e conseguindo comunicar-se melhor do que quando está dizendo algo por palavras.
O pecado humano parece nos conceder apenas ouvir melhor a Deus em meio às angustias que se fazem acompanhar pelo silencio total de Deus em relação à dor por nós sentida.
Deus também faz o silencio-que-é-amor se manifestar quando a pessoa anda em paz com Deus, conhecendo-o e a Ele submetendo-se com alegria; pois, em tal caso, a presença amiga de Deus é a comunicação que se impõe como paz.
Afinal, é também somente na profundidade da intimidade que se pode andar com alguém em silencio, sem a preocupação da animação das palavras, pois, sabe-se o outro; posto que entre amigos dessa qualidade tudo já esteja dito sem ser falado.
“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.
Quando o homem silencia, Deus fala. Mas quando o homem discursa, Deus faz aquele silencio que significa ausência.
Mais:
Quando o homem silencia em quietude submissa, o falar de Deus é mais que dizer, pois, para o homem, se torna um saber não com a razão, mas um saber com o provar essencial do coração.
Prove isto!
Cabio Fábio
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Quando olho tempo suficiente
Pressionado inequivocamente pelo conflito desta minha narrativa, tudo que posso fazer é apertar a própria serpente pelo pescoço, na intenção de me proteger, e levantar-me do lugar a fim de levá-la para longe, na intenção de proteger meus amigos.
No momento seguinte, enquanto passo por eles com o bicho enfurecido nas mãos, meus amigos olham-me aterrorizados e esforçam-se para manter-se a uma distância segura de mim.
Não devo supor que estão com medo da ameaça da qual tento protegê-los, porque são inteiramente incapazes de percebê-la. O que os aterroriza é que eu, seu companheiro e seu cúmplice, levantei-me do meu devido lugar e apontei o perigo. Quando escolho que o risco vale abandonar a indiferenciação do grupo, tomo o primeiro passo no sentido de tornar-me um indivíduo – e isso os apavora.
Minha iniciativa, motivada pelo minha preocupação com a integridade do grupo, transformou-me aos olhos deles numa ameaça e numa abominação.
Paulo Brabo
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Um esperança...
Leonardo Boff em "Chico Buarque do Brasil"
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Somos todos pós-modernos?
Nenhum sistema filosófico resiste, hoje, à mercantilização da sociedade: a arte virou moda; a moda, improviso; o improviso, esperteza. As transgressões já não são exceções, e sim regras. O avanço da tecnologia, da informatização, da robótica, a gloogleatização da cultura, a telecelularização das relações humanas, a banalização da violência, são fatores que nos mergulham em atitudes e formas de pensar pessimistas e provocadoras, anárquicas e conservadoras.
Na pós-modernidade, o sistemático cede lugar ao fragmentário, o homogêneo ao plural, a teoria ao experimental. A razão delira, fantasia-se de cínica, baila ao ritmo dos jogos de linguagem. Nesse mar revolto, muitos se apegam às "irracionalidades" do passado, à religiosidade sem teologia, à xenofobia, ao consumismo desenfreado, às emoções sem perspectivas.
Para os pós-modernos a história findou, o lazer se reduz ao hedonismo, a filosofia a um conjunto de perguntas sem respostas. O que importa é a novidade. Já não se percebe a distinção entre urgente e importante, acidental e essencial, valores e oportunidades, efêmero e permanente.
A estética se faz esteticismo; importa o adorno, a moldura, e não a profundidade ou ao conteúdo. Ao pós-moderno é refém da exteriorização e dos estereótipos. Para ele, o agora é mais importante que o depois.
Para o pós-moderno, a razão vira racionalização, já não há pensamento crítico; ele prefere, neste mundo conflitivo, ser espectador e não protagonista, observador e não participante, público e não ator.
O pós-moderno duvida de tudo. É cartesianamente ortodoxo. Por isso não crê em algo ou em alguém. Distancia-se da razão crítica criticando-a. Como a serpente Uroboros, ele morde a própria cauda. E se refugia no individualismo narcísico. Basta-se a si mesmo, indiferente à dimensão social da existência.
O pós-moderno tudo desconstrói. Seus postulados são ambíguos, desprovidos de raízes, invertebrados, sensitivos e apáticos. Ao jornalismo, prefere o shownalismo.
O discurso pós-moderno é labiríntico, descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.
O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjetividade.
A ética da pós-modernidade detesta princípios universais. É a ética de ocasião, oportunidade, conveniência. Camaleônica, adapta-se a cada situação.
A pós-modernidade transforma a realidade em ficção e nos remete à caverna de Platão, onde nossas sombras têm mais importância que o nosso ser, e as nossas imagens que a existência real.
Frei Betto
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Pegadas na areia.
Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.
[Tiago 3.13]
Jesus era um contador de histórias. Na verdade sua vida é uma história. Seu legado não é dogmático, conceitual, tipo cartilha com princípios lógicos e enunciados teóricos. Por essa razão o discipulado acontece na trama da vida e no emaranhado das relações humanas.
O habitat natural de um seguidor de Jesus não é a biblioteca ou a sala de aula, mas o mercado, a rua, e até mesmo o burburinho complexo do templo e seu páteo cheio de fiéis em conflito e lideres religiosos desonestos. As palavras do discipulado não são apenas “saber”, “crer” e “acreditar”. São também e principalmente: “seguir”, “imitar”, “conhecer” e “obedecer”.
Ed René Kivitz
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Quando os crentes davam certo
Durante a vigência da Constituição Imperial (1824) o documento de identidade era a certidão de Batismo na Igreja Católica Romana. Quem não fosse batizado, nem existia, nem era cidadão. Os protestantes, como os demais não-católicos, não podiam ser funcionários públicos, não podiam se candidatar a cargos eletivos, seus casamentos eram nulos (todo mundo, tecnicamente, "amasiado" por amor a Cristo), porque o único documento de casamento válido era o emitido pela Igreja Romana, e quando a pessoa protestante morria tinha que ser "plantado" em algum terreno, porque todos os cemitérios eram administrados pelas Paróquias católicas romanas, e nele só podiam se enterrar quem tivesse recebido o rito de extrema-unção de um sacerdote daquela confissão.
Com a Constituição republicana de 1891 veio a separação Igreja-Estado, cessaram as discriminações legais, mas aumentaram as perseguições. As novas levas de padres e freiras missionários que foram importados pela Igreja de Romana na Primeira República (1889-1930) vinham com a missão de "combater os protestantes". Crianças e jovens eram perseguidos nas escolas, profissionais nos empregos, proibia-se o aluguel de imóveis comerciais e residenciais para os "nova-seita", também conhecidos como "bodes", Igrejas eram apedrejadas, pessoas fisicamente agredidas, amizades e vínculos familiares eram rompidos. A imprensa incitava contra essa fé "estrangeira". O hino de um Congresso Eucarístico cantava: "Quem não for bom católico, bom brasileiro não é". Bíblias eram queimadas. Paredes de templos protestantes eram levantadas de dia, para serem derrubadas de noite. "Protestante é pobre, burro e feio". Casar minha filha com um deles, nem pensar...
Na cidade de minha família materna, em Alagoas, um padre holandês, se referindo à artéria onde residiam as melhores famílias da cidade, compusera a quadrinha de gozação:
"Na Rua do Rosário, ninguém pode mais passar
São bodes e cabrinhas, todos eles a berrar..."
Com raras exceções localizadas, esse quadro não mudou muito até o início dos anos 1960, e a realização do Concílio Vaticano II.
Mais de um século de dureza! Naquele contexto, que requeria autenticidade, a permanência e o crescimento do protestantismo foram marcados por atos de heroísmo e muito martírio. Naquele contexto, os crentes davam certo...
Dom Robinson Cavalcanti
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A serpente permanece um enigma.
Quando a serpente comparece na história tudo que está ali para nos receber é o mistério da sua presença, o enigma da sua necessidade. Sabemos como funcionam as narrativas (esta, mesmo sendo a história das primeiras coisas, não é a primeira história que ouvimos), e sabemos que a narrativa caminharia para o seu inevitável fim, com desdobramentos espetaculares para a relação entre Deus e o homem, sem a presença necessária de um vilão.
Mas já que somos premiados com um criminoso, a primeira coisa que exigimos conhecer são os seus motivos, isto é, a natureza da sua relação – sua tensão – com os demais personagens. Porém, quando descobrimos alguma coisa sobre os poderes e sobre a missão da serpente, é pelo que o proprio vilão faz e diz, não pelo que o narrador nos alerta ou confidencia sobre ele.
O narrador, que nos levara pela mão até aqui, deixa-nos de repente à mercê da serpente. Deixa-nos sozinhos inclusive para ponderar porque raios ele faria uma coisa dessas.
Paulo Brabo
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Porque amo a vida.
Amo a vida porque os sabores me esfomeiam, os silêncios me atraem, os mistérios me intrigam, os horizontes me instigam.
Amo a vida porque as mulheres me encantam, os altruístas me humilham, os sábios me instruem, os artistas me animam.
Amo a vida porque não espero o previsível, não aceito a manipulação dos espertos e não convivo com o domínio dos poderosos. Acolho o insólito e enfrento o traumático para não fugir da realidade da dor. Se evito as atrocidades é para nunca afeiçoar-me com o mal.
Amo a vida porque sofro com angústias que não são minhas e abrigo felicidades alheias. Sou paradoxal, salto como a corça e me entoco como a lebre, rujo como o leão e danço como o colibri. Aprendi que posso orvalhar o papel com as lágrimas da poesia e encharcar a camisa com o suor dos ideais.
Amo a vida porque tento entupir o ralo por onde podem descer os poucos dias de minha vida banal. Dissimulo, não quero ver-me consumido com ódios que exigem tanta atenção. Caço as memórias para não deixá-las se esfumaçarem. Comparo-me com os amigos que envelheceram - Meu Deus, eles se desgastaram mais do que eu! Disponho-me a pagar o preço da longevidade. Não invejo o monumento ao soldado desconhecido que recebeu uma coroa de flores do imperador. Não desejo a sorte dos Camelots, John Kennedy, Che Guevara, James Dean, Lady Diana - todos morreram cedo.
Amo a vida porque engasgo com o semblante do noivo no instante em que a porta da igreja se abre para a amada. Emociono-me com o café que incensa a manhã pueril. Ouço a canção da menina desafinada como de uma soprano erudita. Leio o bilhete do presidiário como um tratado filosófico. Acolho as razões da avó como verdades absolutas.
Amo a vida porque perdi a pressa. Desisti das onipotências, abri mão da perfeição e comecei a perceber que Alguém me ama sem que precise provar nada.
Ricardo Gondim
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Reflexão nº 1
Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.
Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
Murilo Mendes
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E agora Pastor?
No domingo seguinte o congaceiro estava sentado no primeiro banco da igreja.
O pastor pregando disse que Jesus tinha alimentado cinco mil pessoas com apenas cinco pães e dois peixinhos! O cangaceiro levantou-se deu um pigarro e puxou a peixeira.
O pastor apavorado gritou:- Irmãos, porém, cada pão era do tamanho desta igreja!
fonte: Blog do Jasiel Botelho
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O ciúme
A Bíblia diz: - "o amor não arde em ciúmes" 1Cor 13.4.
Gente, amor combina com liberdade e com libertação. Quem ama confia, libera, emancipa o outro. Arder em ciúmes é se deixar tomar pela insegurança, pelo medo. Isso acaba com qualquer relacionamento.
Isso, quando o ciúme não é mera projeção. Isto é, o sujeito não é fiel à esposa e pensa que ela, quando está longe do seu controle, está fazendo, com ele, o que ele está fazendo com ela. E aí é verdadeiro o ditado: "o inocente paga pelo pecador".
Às vezes o ciúme tem a ver com o medo de perder o ente amado, acontece, principalmente, quando um dos cônjuges sofre de algum complexo de inferioridade e, como sabe que o outro, por causa da sociedade em que vivemos, está, pelo menos, sob algum assédio, é tomado pelo pavor de perdê-lo. Aí é preciso convencer o outro com consistentes demonstrações de seu amor. E, um tem de aprender a confiar no amor do outro, assim como clamar a Deus que não os deixe cair em tentação.
Infelizmente já assisti o fim de casamentos por causa disso. É triste ouvir a mulher ou o homem a dizer: - "Não é que ela ou ele não me ame, mas que me sufoca com aquele ciúme doentio."
Lembre-se arder em ciúmes não é amar. O amor liberta, confia, estimula o outro, o faz sentir-se importante, digno de confiança. E uma pessoa que se sente amada reage a esse amor com maior amor ainda. Por isso não se deixe tomar pelo ciúme, se for o caso procure ajuda. Faça o outro feliz para ser feliz. É assim que a Bíblia diz.
Ariovaldo Ramos
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Tratando a Língua
Disse um dos nossos ministros: “É preciso encarar a realidade de frente”.
Nosso leitor tem razão. Eu também nunca vi alguém com “cara nas costas”. É impossível “encarar de costas”. Além de tudo, pode ser perigoso: vá que goste!!!
Nas transmissões esportivas, é muito comum ouvirmos: “o atacante tem de encarar de frente os zagueiros”. É um típico vício de linguagem. Basta encarar os zagueiros.
Se ENCARAR só pode ser de frente, temos aqui uma redundância ou pleonasmo.
2ª) Literalmente?
E o apresentador do programa, entusiasmadíssimo, afirmou: “Flávia Alessandra está literalmente botando fogo em Duas Caras”.
Pelo visto, nossa belíssima atriz é incendiária!!! “Botar fogo literalmente” significa “botar fogo no sentido real da palavra”.
Não é isso que o apresentador queria dizer. Na realidade a expressão “botar fogo” está sendo usada no sentido figurado, no sentido não-literal.
3ª) Onde está o erro na frase: “Há feitiços que, se usados antes de que esteja pronto, podem matá-lo”?
Tudo depende de quem é o sujeito de “esteja pronto”.
Se o sujeito for “ele” (oculto), a frase está correta: “Há feitiços que, se usados antes de que (ele) esteja pronto, podem matá-lo”.
Se o sujeito for “eles (os feitiços)”, a concordância está errada: “Há feitiços que, se usados antes de que (eles) ESTEJAM PRONTOS, podem matá-lo”.
4ª) Pouquíssimas pessoas ou ninguém pensaria OU pensariam nesta solução?
Quando o sujeito composto é ligado pela conjunção alternativa OU com valor de e/ou, a concordância é facultativa.
Alguns autores preferem a concordância do verbo com o núcleo mais próximo: “Pouquíssimas pessoas ou ninguém PENSARIA nesta solução”.
Outros preferem as vírgulas com concordância no plural: “Pouquíssimas pessoas, ou ninguém, PENSARIAM desta solução”.
Quando a conjunção OU apresenta a idéia de “exclusão”, o verbo concorda obrigatoriamente com o núcleo mais próximo: “Ou eu ou diretor DEVERÁ IR à reunião com os clientes”.
5ª) Ele nasceu em OU na Uganda?
Ele nasceu em Uganda.
Não há regra que determine o uso ou não de artigos antes dos topônimos (= nomes de lugares), por isso falamos O Brasil, O Egito, O Equador, O Paraná, O Rio Grande do Sul (com artigo masculino “o”); A Argentina, A Inglaterra, A China, A Bahia, A Paraíba (com artigo feminino “a”); Portugal, Israel, Uganda, Goiás, São Paulo, Brasília (sem artigo algum).
O artigo se consagra pelo uso. Isso explica alguns casos polêmicos (Recife ou O Recife) e algumas mudanças: As Minas Gerais – Minas Gerais, As Alagoas – Alagoas.
Devemos respeitar a forma mais usada: “Ele nasceu em Minas Gerais, em Alagoas, na França, no Tocantins, em Uganda”.
6ª) Lesionado OU lesado?
Tanto faz. Segundo o dicionário Houaiss, LESIONAR é sinônimo de LESAR (= causar lesão física). Assim sendo, quem sofre uma lesão está LESIONADO ou LESADO. É o mesmo que “ferido, contundido”.
O problema é que LESADO apresenta um segundo significado: “prejudicado em seus interesses”: “O empregado foi lesado, por isso requereu seus direitos na justiça”.
fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira
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O que é o que mata?
Pois assim está escrito:
“Mas da Árvore que está no meio do jardim não comerás, pois, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Elohim disse a Adão.
“O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus, a vida eterna”. Paulo aos Romanos.
“Eu Sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente”. Jesus, em frente à tumba de Lázaro.
Será que algum dia as criaturas já viveram no corpo sem morrer fisicamente?
Ora, pode até ter sido, embora eu, pessoalmente, não creia assim.
De fato eu creio que quando Deus disse a Adão que o comer do fruto traria a morte, Ele se referia ao morrer espiritual, e não à instalação do fenômeno do morrer físico na experiência humana. E mais: Ele fazia referencia à instalação da cessação da existência física como sendo agora sentida e interpretada como morte.
Digo isto fundado no que diz o texto original do Gênesis [em Hebraico], e, também, baseado na constatação histórico - arqueológico – paleontológica de achados insofismáveis acerca da antiguidade da vida na Terra, com a conseqüente experiência da morte física por parte de todas as criaturas.
O texto hebraico do Gênesis diz: “Pois no dia em que dela comeres, morrendo, morrerás”.
Assim se diz que a morte entrou no mundo como fenômeno espiritual e percepcional.
Sim! Agora, quando se morre, sente-se e sabe-se que se morre; a menos que se tenha a vida eterna como certeza maior da vida!
E mais que isto: vive-se com a espada da morte na cabeça em razão de se ter ficado sabendo dela [da morte] como juízo contra a desobediência. E como todos pecaram, todos temem a morte, ou, no mínimo, fogem dela, quando não a buscam como teste de raiva contra vida.
Afinal, o ser humano sabe que o salário do pecado é a morte, e, por esta razão, quase todos buscam alguma forma de salvação.
Ora, a morte física precede a noção de pecado na percepção, embora ninguém pensasse em morte quando se morria, até que o pecado introduziu a morte como percepção que decorre da culpa; e, portanto, do pecado.
Quando Jesus disse: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente” — Ele afirmava a Si mesmo como a antítese da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, posto que é Dele que procede a Árvore da Vida.
Entretanto, o que está dito é que existe o morrer morrendo [1º], assim como existe o morrer vivendo [2º], assim como existe o viver vivendo [3º], sendo que esta última categoria é apenas o verso da segunda, sendo falada a partir da perspectiva de quem, em morrendo, não se vê morrer, pois, imediatamente passou da morte para a vida.
Assim, para Jesus, a morte física era real para quem cria na Ressurreição, sendo que a ressurreição de Lázaro era apenas a metáfora da verdadeira Ressurreição, que é no espírito.
Daí o existir morrendo ser o caminho histórico daquele que experimenta o viver vivendo no espírito — isto pela fé na Ressurreição.
Portanto, temos:
“No dia em que dela comeres, certamente morrerás”; assim como temos: “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”.
Ora, o “ainda que morra” é o que decorre da cessação da vida física e da percepção disso como juízo pelo pecado e pela culpa, fato este que pode ser vencido na percepção, pelo crescimento do significado da Ressurreição e da Vida em Jesus.
Daí aquele que ainda prova na percepção o “ainda que morra”, se crê em Jesus, saber que viverá. Porém, aquele que crê em Jesus pode crescer até a experiência de total esquecimento da morte na percepção, o que faz com que prove já no presente, na percepção, a vitória sobre a morte, em razão de se gloriar na esperança certa da glória de Deus. Por isto Jesus diz: “... e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente”.
Antes do que quer que seja o significado do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, nenhum homem se despedia de outro homem, pois, não havia na percepção o sentir conceitual nem de morte e nem de distancia.
Tudo era uno. O homem era um em Deus, em si mesmo, e com a natureza!
Todos eram um, até que um fez todos serem apenas cada um, em profunda dissociação com Deus, de si mesmos, e em relação ao todo da criação.
Entretanto, pela mesma razão de unidade, Um, ao morrer por todos, deu vida a cada um, a menos que a pessoa não queira vida, e assim diga a Deus.
Ora, nunca que a cessação da vida física poderia ser a morte para seres feitos à imagem e semelhança de Deus, pois, sendo feitos espíritos no corpo, jamais morreriam ao morrer, a menos que, pela desobediência, escolhessem morrer, ainda que o engano fosse de vida.
Afinal, o que se prova, se prova, e nada há que faça algo que foi deixar de ser, podendo ser apenas perdoado, mas nunca dês-experimentado.
Conheço a morte, mas estou livre dela, embora, nem por isto eu deixe de saber o que é a morte, posto que nela eu existi muito tempo.
Graças a Deus pelo dom inefável do fruto da Árvore da Vida.
Nele, que comeu o fruto envenenado em meu lugar, para que crendo eu tenha vida, ainda que eu saiba que meu corpo morre,
Caio Fábio




















