Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não
Manuel Bandeira
Arte de amar
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O estado do mundo e a fé
Se você me disser que compromisso cristão é uma coisa que aconteceu com você de uma vez por todas, como uma cirurgia plática espiritual, vou dizer que você está se enganando a está tentando me enganar também. Você deveria levantar-se todos os dias e fazer a seguinte pergunta: 'Posso acreditar nisso tudo outra vez'? Melhor ainda, não faça esta pergunta antes de ler o New York Times, até que tenha visto aquela notícia sobre o estado do mundo e sua corrupção, o qual deve estar o tempo todo ao lado de sua Bíblia. Então pergunte se você é capaz de crer no Evangelho de Jesus Cristo novamente neste dia especial. Se sua resposta for sempre 'sim', então é bem provável que você não saiba o que é crer. Em pelo menos metade das vezes, sua rsposta deveria ser 'não' porque o 'não' é tão ou mais importante quanto o 'sim'. O 'não' é aquilo que prova que você é humano, caso tenha alguma dúvida. Então, em certa manhã, quando acontecer de a resposta ser um verdadeiro 'sim', deverá ser cunhada a partir da confissão e das lágrimas e (...) de um grande sorriso. Extraído de The Return of Ansel Gibbs de Frederick Buechner por Philip Yancey e citado em "Alma Sobrevivente" - Editora Mundo Cristão
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Tudo é um
Inteligência deriva de intro legere, ser capaz de ler dentro, de captar com acuidade o que há atrás das aparências, de alcançar a essência, pois todos sabemos ou ao menos intuímos que a realidade percebida por nossos sentidos é apenas a ponta do iceberg.
Há uma íntima conexão entre todas as coisas. O primeiro a percebê-la foi Tales de Mileto, filósofo grego do século VI a.C. Suas obras não chegaram até nós, mas há quem lhe atribua a autoria do Guia de navegação pelas estrelas, suspeita que ele divide com Focos de Samos.
As idéias de Tales de Mileto nos são conhecidas graças aos comentários de Platão, Aristóteles, Teofrato, Simplício, Diógenes e Eudemo. Para aquele que é considerado o primeiro filósofo, "todas as coisas estão cheias de deuses." Há uma sacralidade inerente a todo o criado. Proposição que, com certeza, era conhecida pelo apóstolo Paulo, que a cristianizou ao afirmar: "Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas de vocês disseram: 'Somos da raça do próprio Deus'" (Atos dos Apóstolos, 17, 27-28).
Tales reconhecia na água a matéria-prima da natureza, o sustentáculo da Terra. Não se equivocou de todo, se considerarmos que a fórmula da água - H2O - indica que ela se compõe de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. E, na escala atômica, o hidrogênio está na origem de toda matéria.
Encantado com as idéias de Tales, Nietzsche sublinha que a água, como "útero materno de todas as coisas", nos remete à origem do Universo, e a proposição contém "em gérmen a idéia de que Tudo é Um." No Gênesis, o autor bíblico inclui a água como elemento primordial, citado já no segundo versículo: "Javé pairava sobre as águas" (1,2).
No século XX, a ciência comprovou que tudo que existe pré-existe, subsiste e coexiste. Todos os seres da natureza, incluídos o homem e a mulher, são feitos dos mesmos 92 átomos resultantes da explosão inicial do Universo, o Big Bang, há cerca de 14 bilhões de anos.
Átomos e moléculas de nosso organismo sabem contar a história do que foram antes, desde que a vida emergiu do fundo dos mares e evoluiu através dos reinos mineral, vegetal e animal. Por isso, viver é dar um beijo na boca da natureza. Nossas células se alimentam do gás que ingerimos pela boca e nariz, o oxigênio, produzido pelos plânctons e pelas plantas; ao expirar retribuímos a plânctons e plantas o nutriente que os sustenta, o gás carbônico.
Nossa vida se mantém graças à capacidade de reciclar a natureza num gesto cotidianamente eucarístico. Os alimentos ingeridos no almoço eram vegetais que estavam vivos e morreram para nos dar vida, na forma de salada; grãos que estavam vivos, o arroz e o feijão, morreram para nos dar vida; animais que estavam vivos - a carne de peixe, frango ou gado - morreram para nos dar vida.
Teilhard de Chardin afirma que todas as coisas são impelidas rumo à completa sinergia, o Ponto Ômega, que a fé identifica com Cristo Ressuscitado, no qual no futuro seremos todos unificados, sem, no entanto, perder a nossa individualidade. Mistério que só encontra analogia na união da Santíssima Trindade, três pessoas distintas em eterna comunhão amorosa.
Se fôssemos capazes de seguir o conselho de Platão e perceber essa unidade entre todos os seres, a cosmofraternura que nos une, a energia vital que faz da vida esse maravilhoso milagre, com certeza, seríamos menos insensíveis perante a miserável situação em que sobrevivem tantos de nossos semelhantes.
Frei Betto
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O perigo do sucesso
Diga-se de passagem, não há nada mais odioso que o sucesso. Sua quase semelhança com o merecimento engana muito os homens. Para a multidão, êxito e o mesmo que superioridade. O sucesso, sósia do talento, infelizmente tem um ingênuo que nele crê facilmente: a história.
[...]
Fora cinco ou seis exceções notáveis que constituem o brilho de todo um século, a admiração contemporânea é simples miopia. O que é simplesmente dourado passa por ouro puro. Ser o primeiro a chegar não constitui honra, a não ser que se chegue a ser alguma coisa.
É o vulgar e velho Narciso adorando a própria imagem, aplaudindo a vulgaridade.
Victor Hugo
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Tudo azul...
Segundo o jornal The Sun, Pettigrew admitiu que não seguiu as recomendações que constavam na embalagem do medicamento e que, embora tenha se divertido muito logo depois de ingeri-lo, abriria mão de todas as relações sexuais do mundo para poder voltar a ver uma caixa de correio vermelha novamente.
Divorciado, o britânico afirmou que adquiriu o Viagra pela Internet quando percebeu que não tinha mais o mesmo desempenho sexual após um ano de abstinência.
A princípio, Pettigrew não percebeu nenhum efeito colateral, porém, há mais de 15 dias vê tudo azul. Agora, ele realiza exames para descobrir se os danos são permanentes.
A fabricante do Viagra, a Pfizer, disse ao jornal The Sun que alerta que alguns homens podem enxergar com um tom azulado após a ingestão excessiva do medicamento.
fonte: Redação do Terra
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Ferrugem
Mera luz
que invade a tarde cinzenta
e algumas folhas deitam
sobre a estrada
O frio é o agasalho
que esquenta
O coração gelado
quando venta
movendo a água
abandonada
Restos de sonhos
sobre um novo dia
amores nos vagões
vagões nos trilhos
Parece que quem parte
é a ferrovia
Que mesmo não te vendo te vigia
Feito mãe
Feito mãe
que dorme olhando os filhos
com os olhos na estrada
E no mistério
solitário da penugem
vê-se a vida correndo parada
como se não existisse chegada
Na tarde
distante
Ferrugem
ou nada
E no mistério
solitário da penugem
vê-se a vida correndo parada
como se não existisse chegada
Na tarde
distante
Ferrugem
ou nada
Djavan
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Estupidez Humana
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Leann Rimes - Amazing Grace "Maravilhosa Graça"
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Hugo Assmann e a coragem de dizer a verdade
Nos últimos anos, sofrendo com diversos problemas de saúde, ele estava meditando muito sobre o tema do "Deus interior" a partir da frase de Santo Agostinho: "Deus me é mais profundo/íntimo do que eu a mim mesmo". As nossas últimas conversas sempre giravam em torno desse tema e do "Deus peregrino", da mística do Deus que se manifesta onde quer, que é peregrino junto com os "nômades", Shekinah. Do Deus que não se deixa aprisionar por nenhuma idéia, teoria ou instituição.
No dia 22 de fevereiro de 2008, às 04:00h, Hugo Assmann faleceu no hospital onde estava internado. O coração parou de bater. O rim já não estava mais funcionando, os pulmões estavam comprometidos. Ele pediu um copo de água para enfermeira e quando ela voltou com a água, ele já não estava mais entre nós. A nossa esperança cristã nos diz que ele foi beber a sua água em uma fonte que não seca jamais, onde não é mais preciso coragem para dizer a verdade porque todas e todos já vivem na Verdade.
Muitas das pessoas das gerações mais novas da teologia ou das pastorais populares não conhecem muita coisa sobre a obra e a pessoa de Hugo Assmann. Enrique Dussel escreveu que o livro que Hugo publicou em 1970, "Teología desde la praxis de la liberación. Una evaluación prospectiva" foi a primeira clara definição epistemológica da Teologia da Libertação frente às outras teologias políticas existentes. No seu exílio em Costa Rica, após o golpe de Pinochet, ele foi um dos fundadores e o primeiro diretor do DEI, Departamento Ecuménico de Investigaciones, que viria a se um dos principais centros de produção e de formação da Teologia da Libertação. O seu livro "A idolatria do mercado" (escrito junto com o seu amigo Franz Hinkelammert), de 1989, constitui um dos marcos na crítica teológica da economia. Um livro que ainda continua atual e merece ser estudado por todas as pessoas interessadas em teologias que sejam capazes de enfrentar os grandes desafios do mundo contemporâneo, assim como pelas pessoas de outras áreas preocupadas em criticar o espírito que move o capitalismo. Aliás, o pensador marxista Michel Löwy deu recentemente uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (13/01/08) onde citava Hugo Assmann como um dos teólogos da libertação que aprofundou a tese de Marx que comparava o capitalismo a uma religião e desenvolveu "uma crítica radical do capitalismo como religião idólatra".
Das dezenas de obras que ele escreveu, há um parágrafo que para mim continua a merecer um destaque muito especial. É, provavelmente, o trecho mais citado entre a sua obra. Foi escrito em 1973, mas continua profundamente atual:
"Se a situação histórica de dependência e dominação de dois terços da humanidade, com seus 30 milhões anuais de mortos de fome e desnutrição, não se converte no ponto de partida de qualquer teologia cristã hoje, mesmo nos países ricos e dominadores, a teologia não poderá situar e concretizar historicamente seus temas fundamentais. Suas perguntas não serão perguntais reais. Passarão ao lado do homem real. Por isso, como observava um participante do encontro de Buenos Aires, 'é necessário salvar a teologia do seu cinismo'. Porque realmente frente aos problemas do mundo de hoje muitos escritos de teologia se reduzem a um cinismo".
Uma das grandes lutas do Hugo Assmann foi salvar a Igreja, a academia e a sociedade do cinismo e insensibilidade diante da realidade de injustiça e opressão. Ele se foi. Cabe às gerações mais novas assumirem essa tarefa e o desafio de unir o compromisso existencial pela causa dos mais pobres e oprimidos/as e a seriedade de um pensamento crítico que não se contenta com aplausos fáceis e nem tem medo de dizer verdades inconvenientes e perigosas.
Jung Mo Sung
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Apesar de
Clarice Lispector
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MA-RA-VI-LHO-SO
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Pesquisa revela que muçulmanos não odeiam os EUA
"Descobrimos que os muçulmanos não odeiam a liberdade e a democracia", declarou nesta terça-feira John Esposito, co-autor do livro "Who Speaks for Islam" (Quem fala pelo Islã?), que será publicado em março.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Gallup, foi iniciada após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando o presidente americano perguntou em um discurso: "Por que nos odeiam?".
"Odeiam (...) um governo democraticamente eleito (...) odeiam nossas liberdades, nossa liberdade de religião, nossa liberdade de palavra, de votar, de não concordar uns com os outros", disse Bush na ocasião.
Desmentindo esta percepção, a pesquisa revela que a grande maioria dos 1,3 bilhão de muçulmanos do mundo admira o Ocidente por sua democracia, suas liberdades e seus avanços tecnológicos.
Só não querem que lhes imponham os costumes ocidentais, destaca a pesquisa.
"Os muçulmanos querem a autodeterminação, não uma democracia definida e imposta pelos americanos. Não querem a teocracia, o que a maioria quer é uma democracia com valores religiosos", destaca Esposito, professor de estudos islâmicos da Universidade Georgetown, em Washington.
A pesquisa afirma que 93% dos muçulmanos do planeta são moderados e apenas 7%, politicamente radicais.
fonte: AFP
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Uma afirmação...
Lya Luft
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A praga dos gafanhotos
O mundo evangélico anda cheio de bizarrices mas o anúncio acima felizmente é fictício. Ao menos por enquanto. Contudo, há outros fatos estranhos no meio do rebanho que são vistos com normalidade.
Após visitar centenas de livrarias cristãs em todo o país, optei por iniciar os treinamentos pedindo que as pessoas citassem uma frase de um livro que leram recentemente. O constrangimento se repetia em todos os lugares. Para diminuir o desconforto, passei a dar a opção de citar um versículo bíblico caso a pessoa não “se lembrasse” do trecho de um livro. Nunca ouvi tantas vezes na minha vida “O Senhor é meu pastor” e “Tudo posso naquele que me fortalece”.
O empreendedor escolhe com cuidado o ponto que vai alugar para abrir a loja. Verifica se há transporte público na região, firma convênio com estacionamentos próximos e visita os pastores das comunidades próximas. Seleciona os produtos com cuidado, afinal está investindo uma parcela significativa do que conseguiu amealhar após vários anos de trabalho. Na hora de escolher os instrumentos de multiplicação dos recursos, simplesmente pede indicações aos amigos e coloca em risco todo o projeto que planejou.
Da mesma forma que a tarefa de pregar o evangelho não pode ser confiada a incrédulos, comercializar livros não pode ser incumbência de quem não gosta de ler. Não há treinamento que seja capaz de suprir a falta desse hábito essencial. Orar diariamente com a equipe pedindo que Deus não considere o despreparo de todos e prospere os negócios é tão eficaz quanto a prece de estudantes que não estudaram o ano todo e recorrem aos céus antes dos exames.
Nos últimos anos, os gafanhotos descritos pelo profeta Joel ganharam notoriedade. Mesmo com embasamento teológico questionável, os insetos passaram a simbolizar tudo o que pode destruir a vida financeira. Se usarmos essa figura recorrente, é possível afirmar que as livrarias cristãs são um ambiente propício para a reprodução deles. Da mesma forma que apenas dez gafanhotos podem destruir uma mangueira em pouco tempo, alguns funcionários recrutados com displicência e que não recebem treinamento são capazes de destruir o patrimônio conquistado com muito suor.
Segundo estatísticas, o governo brasileiro gasta anualmente cerca de um milhão de dólares em inseticidas químicos para evitar uma praga de gafanhotos. Dentro das livrarias o combate sai bem mais em conta. Seleção criteriosa da equipe, treinamento constante e facilidade de acesso aos livros já proporcionará condições adequadas para ampliar o faturamento da loja.
Funcionários e consumidores serão beneficiados com a expansão dos negócios e, no fim das contas, os bons resultados serão a mais perfeita tradução da bênção de Deus. “Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição” (Deuteronômio 11.26 – NVI).
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Palavra de Grande Inquisidor
“Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. Em lugar de pacificar a consciência humana, de uma vez por todas, mediante sólidos princípios, Tu lhe ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas: a liberdade. Agiste, pois, como se não amasses os homens... Em vez de Te apoderares da liberdade humana, Tu a multiplicaste, e assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade...”
O Grande Inquisidor estava certo.Ele conhecia o coração dos homens. Os homens dizem amar a liberdade, mas, de posse dela, são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade dá medo. Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo dos abismos. Por isso abandonam o vôo e se trancam em gaiolas.”
“Somos assim:sonhamos o vôo mas tememos a altura . Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram.
É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam...”
“Deus dá a nostalgia pelo vôo.
As religiões constroem gaiolas”
“Os hereges são aqueles que odeiam as gaiolas e abrem as suas portas para que o Pássaro Encantado voe livre. Esse pecado, abrir as portas das gaiolas para que o Pássaro voe livre, não tem perdão. O seu destino é a fogueira. Palavra do Grande Inquisidor”
Rubem Alves
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Quase juízo final
Meu errante não fazer nada vive e se solta pela variedade da noite.
A noite é uma festa longa e solitária.
Em meu coração secreto eu me justifico e celebro:
Testemunhei o mundo; confessei a estranheza do mundo.
Cantei o eterno: a clara lua volvedora e as faces que o amor enseja.
Comemorei com versos a cidade que me cerca
e os arrebaldes que se apartam.
Disse assombro onde outros dizem apenas hábito.
Diante da canção dos tíbios, acendi minha voz em poentes,
Exaltei e cantei os antepassados de meu sangue e os antepassados de meus sonhos.
Fui e sou.
Travei com palavras firmes meu sentimento que pode ter
se dissipado em ternura.
A lembrança de uma antiga vileza volta a meu coração.
Como o cavalo morto que a maré inflinge à praia, volta a meu coração.
Ainda estão a meu lado, no entanto, as ruas e a lua.
A água continua sendo doce em minha boca e as estrofes não me negam sua graça.
Sinto o pavor da beleza; quem se atreverá a condenar-me
se esta grande lua de minha solidão me perdoa?
Jorge Luis Borges
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Esperança em Tempos Bicudos
Radicais islâmicos, hinduístas e budistas continuam perseguindo cristãos na Ásia em uma escalada rápida e crescente.
A agenda secularista varre a Europa que resolveu, de uma vez, descristianizar-se. Nas Igrejas Luteranas da Escandinávia continua a tensão com a autorização “opcional” para as uniões entre pessoas do mesmo sexo. O mesmo está acontecendo nos Estados Unidos com a maior Igreja Presbiteriana (PCUS) depois que sua Assembléia Geral (Supremo Concílio) deliberou pela “opção local” dos presbitérios e comunidades.
Entre os batistas, 14 mil se reuniram em um encontro dos “moderados” de diversas das suas (mais de 30) Convenções, brancas e negras, com Carter, Clinton e Al Gore, defendendo um batistismo “soft”, o que deveria incluir a tolerância para as diversas opiniões sobre homossexualismo.
Entre os anglicanos, a Bispa Presidente da Igreja Episcopal (TEC) reuniu 300 pessoas para “reorganizar” a Diocese de San Joaquin, depois que esta se transferiu para a Igreja do Cone Sul. Já avisou que vai fazer o mesmo com as Dioceses de Pittsburg, Quincy e Forth Worth, que estão em processo de desfiliação e transferência. O site da Comunhão Anglicana declara a Diocese de San Joaquin como “vaga”. O remanescente fiel da igreja infiel é que deverá ser reconhecido (já vimos esse filme por aqui).
Ir ou não ir à Conferência de Lambeth e apoiar ou não apoiar a GAFCON em Jerusalém está dividindo seriamente os conservadores. Este ano de 2008 é o pico da crise e um ano decisivo. A Diocese do Recife já sofreu as retaliações, já fez as suas opções e sabe com quem caminhará no realinhamento.
Nas cinzas da Quaresma, busquemos esperança apesar de tudo. O Senhor reina!
Paripueira (AL), 05 de fevereiro de 2008.
Robinson Cavalcanti
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Where the streets have no name - U2
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Encontrar Deus
Então, qual é o segredo? Por que relacionar-se com Deus se tornou algo tão cheio de burocracias? Por que a gente parece que tem de entrar num concurso vestibular para realmente alcançar o conhecimento de Deus? Não seria muito mais lógico explicar para as pessoas o que significou todo o movimento de Deus para salvar a humanidade, e toda a criação, e colocá-las em contato com Ele e pronto?
Qual é a dificuldade para falar com Deus, se Ele é a maior realidade do universo? Para que tantos intermediários? Por que tanto templo e tanto ritual; se basta dois ou três reunidos em nome de Jesus, e, pronto: eis a Igreja instalada? Uma vez que Deus é mais real do que o ar que respiramos, por que tanta celeuma, tanto sacerdote? Se estes dois ou três são suficientes para que haja eucaristia e batismo? Já pensou se fosse assim para respirar o ar? Certamente estaríamos todos mortos por asfixia! E se Deus está perto de todos os que o invocam, por que não simplesmente invocá-lo, sabendo que Ele está em todo o lugar, e que Cristo abriu o caminho de contato com ele?
Tem mais, há alguém que, porventura, fica a repetir o tempo todo, oh ar, que bom que você está aqui para que eu possa respirá-lo? Ora, a gente simplesmente respira. Por que com Deus não é assim? Por que a gente não o vive simplesmente, sabendo que nele estamos todos, que podemos invocá-lo a toda hora?
Sabe, há muita embromação religiosa em torno do relacionamento com Deus, muita coisa acrescentada por gente que quer ganhar alguma coisa com o relacionamento necessário entre o ser humano e Deus. Acho que esse é outro tipo de abuso para o qual temos de estar atentos. Como pode haver casas especiais para encontrar Deus, se ele está em todo o lugar, e, principalmente, perto de todos os que o invocam? E como pode existir tanta gente de especial relacionamento com Deus, que tem de ser acionada para que Deus possa ouvir o que espera ouvir, se o único mediador entre o Pai Eterno e o ser humano é Jesus Cristo? Sei não, mas acho que tem alguma coisa errada nesse “imbróglio” todo. Simplicidade, irmãos! Simplicidade!
Ariovaldo Ramos
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Continuação...
Os nomes de Raúl Castro e Ramón Machado foram aprovados pelos deputados que participam da sessão parlamentar, pouco antes da votação nas urnas, na qual a participação de alguns representantes da imprensa foi permitida.
Após a aprovação da chapa única, os deputados começaram a votação de forma direta e secreta. O voto de Fidel Castro foi levado pela ministra da Justiça, María Esther Reus, e escoltado pelo próprio Raúl.
Fidel, de 81 anos, renunciou na terça-feira, após 49 anos no poder, devido a uma doença que o obrigou a ceder provisoriamente o comando a seu irmão Raúl há 19 meses.
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Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.
Carlos Drummond de Andrade
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Vencer o mal
Henri Nouwen
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Mensagem de Bono do U2
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Realmente não tem preço
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Vivo
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!
Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui...
E apesar...
Do tráfico, do tráfego equívoco;
Do tóxico, do trânsito nocivo;
Da droga, do indigesto digestivo;
Do câncer vil, do servo e do servil;
Da mente o mal doente coletivo;
Do sangue o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras...
O vivo afirma firme afirmativo
O que mais vale a pena é estar vivo!
É estar vivo
Vivo
É estar vivo
Não feito, não perfeito, não completo;
Não satisfeito nunca, não contente;
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo, eis-me aqui.
Lenine
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Imagem (triste!) do dia
Parentes das vítimas do avião que se chocou contra uma montanha choram no aeroporto de Merida. O presidente Hugo Chávez afirmou que fará de tudo para resgatar os restos mortais das 46 pessoas que morreram no acidente.Fonte: Reuters
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Nem que eu bebesse o mar
Em Cartago, onde seguiu para estudar, Agostinho aderiu ao maniqueísmo, filosofia religiosa que dividia o mundo entre bem, ou Deus, e mal, o Diabo, e que afirmava ainda que a matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom. Agostinho julgou encontrar nesse dualismo maniqueu a solução do problema do mal e o sentido para a sua vida.
Ao terminar seus estudos, abriu uma escola em Cartago, partiu para Roma e posteriormente para Milão.
Aos trinta e dois anos, afastou-se definitivamente do ensino, em 386, por razões de saúde e também de ordem espiritual.
Ao final de um maduro exame crítico, Agostinho abandonou o maniqueísmo e abraçou a filosofia neoplatônica que lhe ensinou, entre outras coisas, a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal.
Em setembro do ano 386 Agostinho renunciou inteiramente ao mundo, à carreira e ao matrimônio; retirou-se durante alguns meses em companhia da mãe, do filho e de alguns discípulos nas proximidades de Milão. Ali, aos trinta e três anos, escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, foi batizado por Santo Ambrósio.
Depois de sua conversão, Agostinho abandonou Milão e após a morte de sua mãe em Óstia voltou para Tagaste. Depois de vender todos os seus bens e distribuir o dinheiro entre os pobres fundou um mosteiro. Ordenado padre em 391 e consagrado bispo em 395 governou a igreja de Hipona (atual Annaba, Argélia) até a morte, aos setenta e cinco anos de idade, que ocorreu durante o assédio da cidade pelos Vândalos, em 28 de agosto do ano 430.
De Agostinho muito poderia ser dito. Dentre outras coisas, que foi o primeiro grande filósofo cristão, o último dos pensadores antigos e o primeiro dos medievais. Que inaugurou a literatura confessional, e que seu livro Confissões tem no mundo Medieval tanta importância quanto a que é dada à Odisséia ou à Divina Comédia na Antiguidade Clássica.
Nele, escrito quando tinha 43 anos de idade, Agostinho narra sua vida e revela a descoberta da intimidade, que poderia ser definida como alma ou realidade espiritual, que não quer dizer necessariamente o não-material, mas a realidade que é capaz de entrar em si mesma.
É de Agostinho a máxima que diz, "não vá fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade".
Sua grande constatação é a da interioridade. Essa entrada na intimidade, no mais profundo de si mesmo em confissão, é o tema de sua autobiografia e é também o cerne de seu pensamento: a descoberta de sua própria intimidade, que começa com ele e que se torna uma aquisição de todos nós.
Quando penso em Agostinho e em mim mesmo, portanto, uma palavra me vem à mente: sede.
Desde os primeiros anos de vida, Agostinho revela um anseio profundo, uma busca incessante por sentido e significado; a busca que é, por fim, a que todos empreendemos.
Impossível também não relacionar seu anseio à letra do Djavan na canção Seduzir:
"Vou andar, vou voar pra ver o mundo, nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo."
Vejo Agostinho como um parceiro, um companheiro de jornada que em muitos momentos diz coisas que eu não consigo dizer, que expressa em linguagem profunda e poética minha inquietação diante das muitas perguntas sem resposta que me povoam a alma.
Por isso, considero-o um amigo. Afinal, amigo é aquele que nos canta ao ouvido a nossa própria melodia, a melodia que nos identifica, que nos revela ao mundo e que por muitas vezes esquecemos ao longo do caminho, e que só amigos de verdade também conhecem e podem cantarolá-la, a fim de que retomemos o tom da vida.
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Bilhete
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Mário Quintana
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A razão da minha luta
Pablo Neruda em "Confesso que vivi"
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Imagem (triste!) do dia
fonte: Agência Estado
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A busca
Busco uma transcendência que enfrente a verdade de existir com tudo o que a vida traz de bom e de ruim. Que o desejo de viajar até Paranapiacaba não me seja uma fuga, apenas uma esperança. Quero uma espiritualidade que reviva a voz profética; eu não me intimide de lutar contra todas as forças da anti-vida, do Anticristo, do demônico. Quero virar alquimista que faz renascer o sonho da cidade celeste.
Busco uma transcendência que acenda a flama do Espírito, esgote a soberba onipotente e revista a todos de virtude. Desejo a mesma bruma que tanto entesa a caravela como sacode a bandeira no bravo combate. Preciso da coragem que acompanha o sopro primordial. Só com o sussurro silencioso do Supremo assumo coragem de persistir.
Busco uma transcendência suave; delicada como o vôo das pombas, indefesa como o olhar do cordeiro, despretensiosa como o fluir do regato. Necessito esvaziar o desejo de reluzir e resgatar a riqueza da simplicidade. Ainda vou resistir o anseio pelo poder e lembrar a mim mesmo que toda sanha é luciferiana.
Busco uma transcendência que não fuja do palco da vida. Abro mão do mágico para consagrar o cotidiano, transubstanciar as águas inodoras em vinhos apetitosos, fazer do quarto de dormir uma cela de oração e tratar os amigos como discípulos e mestres. Rasgo mapas geopolíticos, desfaço as lógicas colonialistas e chamo a todos de irmãs e irmãos. Exorcizo o medo para empenhar a minha sorte na defesa das mulheres e homens de boa vontade.
Busco uma transcendência que ame tanto o belo como o disforme, o funcional como o deficiente; o lépido como o claudicante. Quero alimentar o meu ser com tudo o que for louvável e de boa fama. Ainda vou me emprenhar de virtude.
Sem porto para atracar, faço da vida um sempre por navegar, pois viver não é preciso.
Ricardo Gondim





















