Sobre Deus...

31 Outubro, 2007

Era uma vez um velhinho simpático que morava numa casa cercada de jardins. O velhinho amava os seus jardins e cuidava deles pessoalmente. Na verdade fora ele que pessoalmente o plantara - flores de todos os tipos, árvores frutíferas das mais variadas espécies, fontes, cachoeiras, lagos cheios de peixes, patos, gansos, garças. Os pássaros amavam o jardim, faziam seus ninhos em suas árvores e comiam dos seus frutos. As borboletas e abelhas iam de flor em flor, enchendo o espaço com as suas danças. Tão bom era o velhinho que o seu jardim era aberto a todos: crianças, velhos, namorados, adultos cansados. Todos podiam comer de suas frutas e nadar nos seus lagos de águas cristalinas. O jardim do velhinho era um verdadeiro paraíso, um lugar de felicidade. O velhinho amava a todas as criaturas e havia sempre um sorriso manso no seu rosto. Prestando-se um pouco de atenção era possível ver que havia profundas cicatrizes nas mãos e nas pernas do velhinho. Contava-se que, certa vez, vendo uma criança sendo atacada por um cão feroz, o velhinho, para salvar a criança, lutou com o cão e foi nessa luta que ele ganhou suas cicatrizes. Os fundos do terreno da casa do velhinho davam para um bosque misterioso que se transformava numa mata. Era diferente do jardim, porque a mata, não tocada pelas mãos do velhinho, crescera selvagem como crescem todas as matas. O velhinho achava as matas selvagens tão belas quanto os jardins. Quando o sol se punha e a noite descia, o velhinho tinha um hábito que a todos intrigava: ele se embrenhava pela mata e desaparecia, só voltando para o seu jardim quando o sol nascia. Ninguém sabia direito o que ele fazia na mata e estranhos rumores começaram a circular. Os seres humanos têm sempre uma tendência para imaginar coisas sinistras. Começaram, então, a espalhar o boato de que o velhinho, quando a noite caía, se transformava num ser monstruoso, parecido com lobisomem, e que na floresta existia uma caverna profunda onde o velhinho mantinha, acorrentadas, pessoas de quem ele não gostava, e que o seu prazer era torturá-las com lâminas afiadas e ferros em brasa. Lá - assim corria o boato - o velhinho babava de prazer vendo o sofrimento dos seus prisioneiros.

Outros diziam, ao contrário, que não era nada disto. Não havia nem caverna, nem prisioneiros e nem torturas. Essas coisas existiam mesmo era só na imaginação de pessoas malvadas que inventavam os boatos. O que acontecia era que o velhinho era um místico que amava as florestas e ele entrava no seu escuro para ficar em silêncio, em comunhão com o mistério do universo. Quem era o velhinho, na realidade? Você decide. Sua decisão será um reflexo do seu coração.

Rubem Alves

A igreja que enfrentou a pobreza

30 Outubro, 2007

“Há dois mil anos, os cristãos fundaram uma comunidade onde a justiça social, conceito que só surgiria muitos e muitos séculos depois, já era largamente praticada”

A primeira Igreja nasceu em meio à pobreza – e a enfrentou, deixando a nós, crentes do século 21, lições preciosas. Aqueles cristãos reagiram à penúria, mostrando-se intolerantes para com a realidade em que os pobres da época estavam imersos. E sua resposta a esta situação foi a solidariedade. O Novo Testamento revela como os irmãos desfaziam-se voluntariamente de suas posses para ajudar os outros, segundo a necessidade de cada um. Eles observavam um padrão mínimo de dignidade humana que, rebaixado, acionava o socorro. Esse padrão não era determinado pelas posses dos doadores, mas sim pela necessidade dos beneficiários, o que indica que a ação era tomada a partir do conceito do direito: o irmão necessitado tinha o direito de ser atendido em sua carência, e portanto, cabia à comunidade a satisfação dessa carência. Simples assim.

É claro que, como Paulo procura deixar claro em sua segunda carta aos tessalonicenses, quem não quisesse trabalhar também não deveria comer. Ou seja, todas as alternativas possíveis à pobreza deveriam ser tentadas – inclusive, a oferta de trabalho –; porém, sem detrimento ao direito do irmão. Essa postura era observada tanto entre as pessoas como entre as congregações, como no caso em que todas as comunidades cristãs já existentes se uniram para socorrer a de Jerusalém. Em outro momento, percebe-se o desenvolvimento de um programa para o sustento das viúvas. Era uma espécie de sistema previdenciário eclesiástico, pelo qual os crentes assumiam a responsabilidade pelas pessoas que não tinham mais acesso ao trabalho remunerado. A coisa era levada tão a sério que uma categoria nova de oficiais – os diáconos – foi acrescentada à Igreja. Cabia a eles o ministério de seguridade social da comunidade.

Desse enfrentamento da pobreza surgiram conceitos de intensa pedagogia capazes de nos surpreender ainda hoje. “Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe para ter com que acudir ao necessitado” (Efésios 4.28). Aqui, a vitória sobre o pecado do furto é passar a contribuir com o necessitado. Elaborou-se a seguinte equação: ao invés de lesar o patrimônio alheio, o indivíduo era incentivado a construir seu próprio patrimônio, para, a partir dele, socorrer o próximo. Dá até para pensar que, para o apóstolo, o ato da acumulação se assemelha de alguma maneira ao furto. Há também a sugestão de uma ética do trabalho fundamentada na solidariedade. Quem trabalha e recebe seu salário deve também responsabilizar-se para com o outro, ou seja, criou-se uma espécie de débito de todos para com o necessitado.

Há dois mil anos, aqueles cristãos fundaram uma comunidade onde a justiça social, conceito que só surgiria muitos e muitos séculos depois, já era largamente praticada. “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundancia, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundancia daqueles venha a suprir a vossa falta; e, assim, haja igualdade, como está escrito: ‘O que muito colheu não teve demais; e o que pouco colheu, não teve falta’” (II Coríntios 8.13-15). Como estas palavras foram ditas no contexto da coleta para a Igreja em Jerusalém, o que se vê é uma valorização do trabalho solidário, algo semelhante ao conceito de revolução permanente. Em outras palavras, um acordo internacional pela erradicação da pobreza e pela busca da igualdade entre as nações. Para usar termos contemporâneos, podemos dizer que os superavitários se responsabilizavam pelos deficitários. Havia um consenso de que todos deveriam trabalham por todos, tendo a humanidade como foco. Em sendo assim, a fé cristã genuína deve ter uma proposta de revolução quanto ao fim da economia e quanto ao parâmetro para a geopolítica internacional.

Nas palavras de Paulo àquelas comunidades cristãs, há outro estímulo direto: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (II Tessalonicenses 3.13). Este estímulo, dito no contexto da tentativa de alguns de se aproveitarem da bondade da comunidade, desafia toda a Igreja a estabelecer esses valores como inegociáveis, a despeito de quaisquer tentativas de abuso. E onde a ética dos apóstolos coloca o trabalhador? Como primeiro e privilegiado beneficiário de seu esforço, a exemplo do boi, que não pode ser impedido de ser o primeiro a desfrutar de sua produção. “O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos”, enfatiza Paulo em II Timóteo 2.6 – até porque, como o trabalho é para a solidariedade voluntária, o trabalhador, para poder exercer essa partilha, precisa ter o que partilhar. Aqui, mais do que um princípio ético, há um postulado econômico: a de que quem produz tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado de seu trabalho. O desenvolvimento deste primado há de redefinir a administração dos meios de produção e do lucro.

A primeira Igreja, na sua intolerância para com o estado de pobreza, propôs abordagens desafiadoras, pertinentes e que mantêm sua atualidade.

Ariovaldo Ramos

Ser mulher

29 Outubro, 2007

“O valor intrínseco da mulher reside no que ela tem de singular e único. Ela tem significado em si mesma como ser criado à imagem e semelhança de Deus”

Tive dois impactos na minha vida em relação ao que é ser mulher. O primeiro se deu quando ainda morava na zona rural. Eu era pequena e já ouvia minha mãe dizer que menina não precisava ir à escola. Afinal, dizia ela, para quê aprender a ler e estudar se o papel da mulher resumia-se a ficar em casa cozinhando, lavando roupas e cuidando de crianças? Aquilo me marcou muito. Comecei a desconfiar que, pelo menos na ótica da minha mãe, era mais vantajoso ser homem. Mas, para minha felicidade, meu pai não pensava assim e decretou que seus filhos só sairiam da escola quando estivessem, ao menos, alfabetizados.

Percebi, aliviada, que para ele meninos e meninas – e, por extensão, homens e mulheres – tinham o mesmo valor.
O segundo aconteceu muitos anos depois, na década de 1980. Já estava casada e com dois filhos, um menino e uma menina. Na época, os sermões em muitas igrejas giravam em torno da família e dos diversos papéis desempenhados no lar. Mas sempre que eu ouvia sobre as funções da mulher, sentia certo mal estar, cuja natureza não conseguia definir direito. Só percebia que era uma sensação de falta, mesmo tendo certeza de que, diante de Deus, a mulher é diferente do homem, mas não inferior.

O nobre, naqueles anos, era a mulher se identificar com a frase: “Sou esposa e mãe.” Eu não via nada de errado naquilo, afinal eu era casada e tinha filhos. Mas sentia falta de alguma coisa. Um dia, enquanto via minha filha de 10 anos brincando no gramado de casa, o nó se desfez. Olhei para ela e falei com meus botões: “E se ela não se casar? Ou se, mesmo casada, não gerar filhos?”

Naquela conversa entre eu e eu mesma, compreendi que realmente falta algo na identidade da mulher que vai além do estado civil e da capacidade biológica de gerar e criar filhos. Só que a sociedade está impregnada de mensagens desvalorizando e sugerindo que a mulher é inferior. Basta ver que a publicidade usa e abusa do corpo feminino e da sua sexualidade na divulgação de tudo quanto é produto. E muitas mulheres se submetem, muitas vezes inocentemente, a esta exploração sem se dar conta que estão cooperando com a humilhação, não apenas de si mesmas, mas de todo o gênero feminino. E o que dizer, então, das diversas situações degradantes a que as mulheres são submetidas em pleno século XXI?

Paul Tournier, psiquiatra suíço que muito influenciou os cristãos brasileiros, defendeu a idéia de que a mulher tem o sentido de pessoa muito mais apurado que os homens. Naturalmente, elas se inclinam mais para as pessoas, enquanto os homens, em sua maioria, se devotam mais às coisas. Ele compreendia que, se a mulher cumprisse sua missão, a civilização poderia ser curada de sua frieza e da indiferença com que trata os desprotegidos e indefesos. Na percepção dele, a mulher já provou do que é capaz, mas tem se submetido aos critérios masculinos, mesmo nos espaços por ela conquistados. Isto é, mostrou sua capacidade – mas deixou de lado a parte específica da sua identidade e passou a imitar o homem.

O valor da mulher é resgatado com o advento de Cristo. Deus se fez gente e dependeu de um útero para nascer neste mundo e de seios maternos que lhe dessem sustento. Em todo o ministério de Jesus, ele fez questão de aceitar e reconhecer o valor da participação da mulher. Ao longo de sua trajetória neste mundo, o Filho de Deus protagonizou vários episódios ao lado de mulheres. Ele curou uma mulher com hemorragia uterina, doença exclusiva do sexo feminino; ressuscitou uma menina; gastou tempo ensinando Maria de Betânia, que era solteira, mesmo que a lei judaica só permitisse o ensino para os homens; aceitou o presente e os gestos de gratidão da mulher tida por todos como prostituta; não julgou aquela que foi flagrada em adultério, e amorosamente ainda a convidou a uma mudança de vida; e não teve pudores em revelar-se como Messias à samaritana do poço, uma mulher discriminada não apenas por sua origem, mas também porque já estava em seu sexto relacionamento conjugal.

Diante do exemplo de Jesus, podemos reconhecer e acreditar no valor intrínseco da mulher pelo que ela tem de singular e único. Pelo potencial específico e inigualável que se expressa através da profissão, das habilidades artísticas, da atividade religiosa, do voluntariado e do envolvimento político – e também pelo seu desempenho no próprio lar, como companheira do homem e como mãe. E, embora a identidade da mulher não dependa exclusivamente do casamento ou da geração de filhos, é claro que a parceria conjugal e a maternidade podem acrescentar e enriquecer suas experiências de vida e contribuir para sua maturidade. Contudo, o valor da mulher pode e deve ser cultivado e desenvolvido independentemente de sua condição, pois ela, como todo ser humano, tem significado em si mesma como ser criado à imagem e semelhança de Deus.

O relato bíblico da Criação mostra que o Senhor delegou ao homem e à mulher a tarefa de cultivar e dominar a terra. Eu acho que, no plano divino, todas as decisões e atitudes humanas devem ser tomadas levando em consideração a ótica masculina e a feminina. Os dois gêneros precisam caminhar juntos – e aprender mutuamente. Os homens precisam considerar e dar espaço para a contribuição da mulher; e ela precisa apenas ser mulher!

Esther Carrenho

Embriaguez

28 Outubro, 2007


Estou inebriado de beleza, esmagado pelo esplendor.


Sem mais nem menos, senti-me batizado por uma Presença. Tudo me encantou, tudo me seduziu. Passei a gostar de pequenos gestos, relembrar momentos fugidios que perduraram em minha retina e me deram enorme alegria. Ressuscitaram olhares, toques e sílabas soltas que marcaram minha alma.

O Espírito abriu um estojo de jóias e ressuscitou tudo o que já me fez sorrir. Convenci-me de que a sombra de Deus é formosa como a asa de uma graúna, gentil como o sorriso de uma criança e forte como o olhar do ancião.

O Vento soprou e, de repente, tudo me fascinou. A genialidade poética do Chico Buarque e a doçura do Henry Nouwen se somaram à erudição dos meus professores do mestrado, e fiquei com um impulso de correr, saltar, de satisfação. Meus olhos se encheram de azul, meu coração acolheu o negro e minha pele se cobriu de rubro. Senti-me vivo.

Percebi o abraço divino e tudo me arrebatou, tudo me endoideceu. Vi-me encharcado de eternidade, amarrado pela vastidão sideral, atraído pelo infinito, desejoso pelo devir, e com o olhar fixo no horizonte improvável.

O Espírito veio sobre mim e tive anseio de ficar só numa catedral vazia. Sua presença me levou a trilhas bucólicas, com a sensação de que o divino companheiro que arde corações me acompanhava.

O Espírito me revestiu de amor pela vida. Desfiz os nós da discórdia, quebrei as lógicas do ódio e me inundei de bondade. Ganhei o ímpeto de gritar: seu Reino é justiça, paz e alegria.

Antes de dormir vou acender um monte de velas aromáticas, ler Pessoa e escutar Bach para celebrar o testemunho do Espírito em mim.

Ricardo Gondim

(Dedicado a Rubem Alves)

Direito ao silêncio

27 Outubro, 2007

Há demasiados ruídos à nossa volta. O coração sobressalta, os nervos afloram, a mente atordoa-se. É o televisor ligado quase o tempo todo, o fluxo incessante de imagens sugando-nos num carrossel de flashes.


O rádio em monólogo inclemente, a música rítmica desprovida de melodia, o som alojado nos orifícios auditivos, o telefone trinando supostas urgências, o celular a invadir todos os espaços, suas musiquetas de chamada destoando em teatros, cinemas, templos, cerimônias e eventos, seus usuários nele dependurados pelas orelhas, publicitando em voz alta conversas privadas.

De todos os lados sobem ruídos: da construção civil vizinha, do latido dos cães, dos carros na rua e das aeronaves que cortam o espaço, das motos estridentes, do anunciante desaforado em seu carro de som, do apito fabril disciplinando horários.

Tantos ruídos causam tamanho prejuízo à saúde humana que o Exército usamericano criou, em sua sanha assassina, um arsenal de “projéteis sonoros”, capazes de produzir som de 140 decibéis. Bastam 45 para impedir o sono. O rumor do tráfego na esquina de uma avenida central atinge 70 decibéis. Aos 85 produz-se uma lesão auditiva. Elevado para 120, o som provoca dor aguda nos ouvidos. Imagine-se, pois, o que significa essa tecnologia de tortura a 140 decibéis!

Nosso silêncio não é quebrado apenas por ruídos auditivos. Agridem-nos também os visuais. Assim como o silêncio da zona rural ou de uma igreja nos impregna de paz, levei um choque ao visitar, anos atrás, Praga antes da queda do Muro de Berlim. Não havia outdoors. A cidade não se escondia atrás de anúncios. A poluição visual era zero, permitindo contemplar a beleza barroca da terra de Kafka.

Nas cidades brasileiras, subjugadas pelo império do mercado, somos vorazmente engolidos pela proliferação de propagandas, exceto a capital paulista, agora em fase de despoluição visual por iniciativa da prefeitura.

Sem silêncio, ficamos vulneráveis, expostos à voracidade do mercado, a subjetividade esgarçada, a epiderme eriçada em potencial violência. Contra esse estado de coisas, o professor Stuart Sim, da Universidade de Sunderland, na Inglaterra, acaba de lançar Manifesto pelo silêncio, contra a poluição do ruído. O autor enfatiza que a cacofonia de sons que nos envolve ameaça a saúde, provoca agressividade, hipertensão, estresse, problemas cardíacos.

Todos os grandes bens infinitos da humanidade – arte, literatura, música, filosofia, tradições religiosas – exigiram, como matéria-prima, o silêncio. Sem ele perdemos a nossa capacidade de raciocinar, ouvir a voz interior, aprofundar a vida espiritual, amar além do jogo erótico meramente epidérmico.

Quando um casal de noivos me procura, interessado em preparar-se para o matrimônio, costumo indagar se os dois são capazes de ficar juntos uma hora, em silêncio, sem que um se sinta incomodado. Caso contrário, duvido que estejam em condições de uma saudável vida a dois, pois o respeito ao silêncio do outro é um dos atributos da confiança amorosa.

Assisti ao filme O grande silêncio, do diretor alemão P. Gröning, que nos convida a penetrar a vida de uma comunidade cartuxa nos Alpes franceses. Nenhuma palavra no decorrer de três horas de filme, exceto o canto gregoriano das liturgias monásticas e o bater do sino. Um convite à mais desafiadora viagem: ao mais profundo de si mesmo.

Quem ousa, sabe que lá se desdobra um Outro que, por sua vez, espelha nossa verdadeira identidade. Viagem que tem como veículo privilegiado a meditação. Na fase inicial, é tão árduo quanto escalar montanha para quem não esta acostumado ao alpinismo. Porém, em certo momento, é como se u’a mão invisível nos elevasse, tornando a subida suave e agradável.

Só então se descobre que, no imponderável do Mistério, não se sobe, se desce, mergulha-se em si mesmo para vir à tona, do outro lado de nosso ser, naquele Outro silenciosamente presente em nossas vidas e na tecitura do Universo. Aqui a palavra se cala e o silêncio se faz epifania.

Frei Betto

Minha fé não é aquilo em que acredito

26 Outubro, 2007

A distinção mais útil que encontrei nesta caminhada foi a que estabeleceu Jacques Ellul entre fé e crença. Crença é aquilo que professamos acreditar; é o conteúdo doutrinário peculiar à nossa facção da cristandade, expresso com palavras muito bem escolhidas em nossas declarações de fé. Não há, por outro lado, conjunto de palavras suficiente para definir adequadamente a fé. Nossas crenças são passíveis de exposição, mas nossa fé é questão pessoal — seu conteúdo é o mistério tremendo, a tensão superficial entre mim e o universo, entre mim e o desconhecido, entre mim e o futuro, entre mim e a morte, entre mim e o outro, entre mim e Deus.

Os religiosos de todas as estirpes vivem em geral muito mais preocupados com as filigranas da crença do que com a vivência da fé — e posso dizê-lo por experiência própria. As divisões que fazemos questão de estabelecer entre a nossa e as demais facções da cristandade, e entre a cristandade e as outras heranças religiosas, estão fundamentadas, naturalmente, em diferenças de crença. Às vezes dizemos que diante de Deus o desafio da fé é o mesmo para todos, mas agimos claramente como se nossa identidade de cristãos e de seres humanos fosse adequadamente definida pelo teor de nossas crenças. Sentimo-nos devidamente legitimados, devidamente representados, pela felicidade de pertencermos ao grupo ou denominação que professa (ao contrário de todos os outros grupos ou denominações) a crença mais pura, destilada e correta. Fingimos que nos dobramos diante de Deus e de seu Cristo, mas nosso cristianismo é ortodoxolatria.

"A fé", explica Ellul, "isola o indivíduo; a crença (qualquer que seja, inclusive a cristã) ajunta pessoas. Na crença nos vemos unidos a outros na mesma corrente institucional, todos orientados em direção ao mesmo objeto de crença, compartilhando das mesmas idéias, seguindo os mesmos rituais, arrolados na mesma organização, falando o mesmo dialeto.

" Diante disso, sinto-me cada vez menos inclinado a responder aos que perguntam em que acredito, ou aos que levantam-se em indignação quando ouvem a temerária confissão de alguma crença minha ("O quê? O Brabo acredita na evolução?" "O quê? O Brabo não condena a fé dos católicos?" "O quê? O Brabo crê que igreja bem-sucedida é a que fecha as portas?" "O quê? O Brabo acredita em [inserir crença arbitrária aqui]?). Sinto-me cada vez menos motivado a responder aos que perguntam sobre minha tradição religiosa, a qual denominação pertenço, se faço parte de alguma igreja, se endosso determinado autor ou se fico devidamente escandalizado diante de determinada barbárie doutrinária.

Não devo iludir a mim mesmo ou a quem quer que seja dando a impressão de que resta algo de importância na vida espiritual (ou na vida) que não seja a fé, e, minha gente, minha fé não é aquilo em que acredito. Minha fé não está naquilo em que acredito, nem poderia estar. Minha fé não é adequadamente expressa por aquilo em que acredito, nem poderia ser.

Em primeiro lugar, porque minhas crenças mudam, mesclam-se e transformam-se constantemente. Minhas crenças nascem, reproduzem-se e morrem num plano totalmente independente do desafio que está na fé. Em segundo lugar porque, como lembra Ellul, "toda crença é um obstáculo à fé. As crenças atrapalham porque satisfazem a nossa necessidade de religião". Quem pergunta aquilo em que acredito está tentando estabelecer comigo a mais rasteira das conexões; está querendo legitimar a sua crença a partir da minha, e isso não tem como ser saudável para ninguém.

Quem se abraça dessa forma à crença está buscando, evidentemente, o conforto do terreno conhecido e palmilhado. "A crença é confortadora", observa Ellul. "A pessoa que vive no mundo da crença sente-se segura". A fé, por outro lado, é coisa terrível, a que ninguém em são juízo deveria aspirar. A fé deixa-me sozinho com um Deus que pode não estar lá. A fé convida-me a um grau de liberdade que posso não ter desejo de experimentar. A fé quer tirar-me da zona de conforto da crença e levar-me para regiões de mim mesmo aonde não quero ir. A fé pressupõe a dúvida, a crença exclui a dúvida. A crença explica sensatamente aquilo em que acredito, a fé exige loucamente que eu prove.

Nossas crenças são âncoras de legitimação, que nos mantêm seguros no lugar, mas nos impedem de seguir adiante — o que, convenhamos, é muito conveniente. Quem iria em sã consciência escolher abandonar o abraço confirmatório da crença comum e dar um passo em direção à vertigem da fé, ao desafio de tornar-se um indivíduo separado, distinto e singular (numa palavra, santo) diante de Deus? Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas; não suportamos o desafio constante, sempre iminente, sempre exigente, do deserto.

Não tenho como recomendar a crença; sua única façanha é nos reunir em agremiações, cada uma crendo-se mais notável do que a outra e chamando o seu próprio ambiente corporativo de espiritualidade. Não tenho como endossar a crença; não devo dar a entender que a espiritualidade pode ser adequadamente transmitida através de argumentos e explicações. Não devo buscar o conforto da crença; o Mestre tremeu de pavor e não tinha onde reclinar a cabeça. Não devo ouvir quem pede a tabulação da minha crença; minha fé não é aquilo em que acredito.

Nunca deixa de me surpreender que para o cristianismo Deus não enviou para nos salvar um apanhado de recomendações ou uma lista suficiente de crenças, mas uma pessoa. Minha espiritualidade não deve ser vivida ou expressa de forma menos revolucionária. Não pergunte em quê acredito. Mande um email, pegue uma condução, venha até minha casa, tome um café na minha mesa e aceite o meu abraço. Não devo esperar ato maior de fé, e não tenho fé maior para oferecer.

Paulo Brabo

Acabaram os bereanos?

25 Outubro, 2007

No sopé dos Montes Olímpios, na República da Macedônia, parte integrante da Iugoslávia até bem pouco tempo, existe uma pequena cidade chamada Verria. Há uma única referência a essa cidade na Bíblia, mas com outro nome: é a antiga Beréia, distante 80 quilômetros a sudoeste de Tessalônica (hoje Salônica).

Na metade do primeiro século, o apóstolo Paulo, em sua segunda viagem missionária, e Silas anunciaram o evangelho tanto em Tessalônica, na época com 200 mil habitantes, como em Beréia. Em ambas as cidades, o trabalho foi coroado de muito êxito. Em Beréia, “mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” creram na pregação da salvação pela graça de Deus mediante a fé (At 17.12). Mas o primeiro historiador da expansão do cristianismo fez questão de registrar que os bereanos eram “mais nobres” que os tessalonicenses. Além de ouvir a mensagem com muito interesse, os novos crentes daquela cidade “cada dia examinavam as Escrituras para ver se tudo era assim mesmo” (At 17.11, EP). Isso significa que as mulheres da alta sociedade e um punhado de homens da atual Verria, com todo respeito a Paulo, faziam um exame crítico de tudo que o apóstolo ensinava, tendo como fonte primária e de absoluta confiança a parte da Bíblia então escrita (o Antigo Testamento). A resposta que os novos convertidos davam à pregação missionária não era meramente emocional. Passava tanto pelo coração como pelo intelecto. Desde então, nesses 20 séculos de história, os bereanos são lembrados como exemplos para aqueles que desejam ter uma fé sólida e mais próxima possível da Revelação.

Cabe aqui a inquietante pergunta: essa raça de bereanos ainda é necessária? Em nenhum outro tempo, os meios de comunicação foram tão variados e disponíveis como agora, e nunca a liberdade de falar e escrever o que se quer foi tão grande. Antes, tínhamos apenas as Escrituras e outros livros. Depois, jornais e revistas. Depois, o rádio e a televisão. Depois, o fax. Agora, temos a internet. Por meio desses recursos, o crente recebe número sem conta de mensagens todos os dias, de procedência e linha doutrinária diferentes. A maior parte das pessoas engole tudo sem o menor cuidado. Daí a confusão reinante e o crescimento assustador não só de novas denominações cristãs, mas também de seitas e heresias.

Não se pode mudar de idéia nem de convicção só porque alguém ensina algo novo. Cada dia é preciso examinar as Escrituras para ver se tudo o que esse alguém transmite é de fato assim. Se essa pessoa se sente ofendida porque procedemos desse modo é péssimo sinal.

Nem sempre aquele que distorce as Escrituras age de má-fé. Às vezes, trata-se apenas de um equívoco de exegese, a que todos estamos sujeitos — não só o expositor leigo, mas também os doutores em Bíblia. Todavia, tanto a história de Israel como a história da igreja registram a presença e a pregação de falsos profetas que se infiltram no meio do povo e no meio dos crentes. Em ambos os casos, a preocupação dos bereanos é muito bem-vinda.

Não se trata de uma vigilância mesquinha e ruidosa, que sempre descamba para uma insuportável arrogância teológica, capaz de exagerar, mentir, denunciar, perseguir e dividir a igreja. Foi esse procedimento que deu origem à Inquisição, de triste memória.

Discreta e humildemente, o verdadeiro bereano trabalha com a sua consciência, busca fundamento bíblico para aquilo que ouve e lê. Quando alguma coisa o incomoda, não se cala nem se omite. Porém, ao levantar a voz não tímida, ele coloca sob cuidadosa vigilância o seu zelo pela Palavra de Deus.

Os tessalonicenses de ontem e de hoje são mais rápidos e menos profundos. Portanto, dão menos trabalho. Já os bereanos de ontem e de hoje são menos apressados e mais profundos. E correm menos riscos que seus vizinhos de Salônica, pois obedecem à instrução do Apóstolo do Amor: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 Jo 4.1, NVI).

Revista Ultimato

Buraco negro

24 Outubro, 2007

De forma muito simplista, um buraco negro é uma região no espaço que contém tanta massa concentrada que nenhum objeto consegue escapar de sua atração gravitacional. Por exemplo, suponha que você está na superfície de um planeta. Você atira uma pedra para cima. Supondo que você não atire muito forte, ela subirá por algum tempo, mas eventualmente a aceleração devida à gravidade do planeta vai fazê-la descer de novo. Se você atirar a pedra com força suficiente, no entanto, você poderia fazê-la escapar inteiramente da gravidade do planeta. A pedra continuaria a subir para sempre. A velocidade com que é necessário atirar a pedra para que ela escape da atração gravitacional do planeta é chamada de "velocidade de escape". A velocidade de escape depende da massa do planeta: se o planeta for extremamente massivo, sua gravidade é muito intensa, e a velocidade de escape muito elevada. Um planeta mais "leve" teria uma velocidade de escape inferior. A velocidade de escape também depende da distância a que você se encontra: quanto mais perto você estiver, maior a velocidade de escape. A velocidade de escape da Terra é de 11,2 km/s, enquanto que a velocidade de escape da Lua é de apenas 2,4 km/s. Imagine agora um objeto com tamanha massa, concentrada num raio pequeno de tal forma que sua velocidade de escape seja maior que a velocidade da luz. Neste caso, uma vez que nada pode se deslocar mais rapidamente que a luz, nada poderá escapar do campo gravitacional desse objeto. Mesmo um raio de luz seria puxado de volta pela gravidade e não teria como escapar. (Fonte: Instituto de matemática e Estatística da USP)
A mesma força que faz com que os raios de luz sejam puxados de volta, faz também com que qualquer coisa que se aproxime de um buraco negro seja sugada por ele. Isto é, um buraco negro é um imã poderosíssimo que funciona como um bicho come-come, que não perde a chance de engolir suas presas. Se você já viu um sapo comer uma mosca, sabe do que estou falando.

Mas o que isso tem a ver com espiritualidade? Nada, exceto se compreendermos o buraco negro como uma metáfora do pecado. Isso mesmo, quando penso em pecado imagino que são buracos negros na alma. Poderíamos dar nomes aos buracos negros da alma: “imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias”, que a Bíblia chama de obras da carne.

Quando essas coisas existem na alma, elas sugam tudo de bom que passa pela nossa órbita.

"Passa um sorriso, mas ele é sugado pelo buraco negro ódio; passa uma portunidade de sermos generosos, mas ela é sugada pelo buraco negro egoísmo; passa uma amizade, mas ela é sugada pelo buraco negro ciúmes, ou discórdia, e assim vai, até que os buracos negros da alma crescem e se juntam formando um buraco só"

que chegam a sugar a própria pessoa para dentro dele. O resultado é que a essoaa fica aprisionada na escuridão e, assim como a luz não consegue escapar do campo de gravidade do buraco negro, nada de bom escapa do buraco negro existencial: ela não sorri mais, não consegue mais fazer amizades, não é capaz de agir com generosidade, não se doa mais, não acredita em mais nada, perde a esperança e não vê mais graça na vida.

Acho que foi a respeito desse tipo de gente que Jesus disse: “os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”. Quando a alma é um buraco negro, o mundo todo é escuro.

Ed René Kivitz

Viver não cansa

23 Outubro, 2007

Viver não cansa, o que fatiga são as perguntas imbecis de quem não quer ter opinião própria, os comentários emburrecedores de quem não gosta de pensar, as lógicas dos religiosos que adoram encabrestar e serem encabrestados.

Viver não cansa, o que exaure é precisar debater com quem só lê a 'Veja'; é ter que ouvir a opinião de quem adora o Diogo Mainardi; é ter que debater com quem aprendeu toda a Verdade com o Max Lucado e se acha apto para converter o mundo islâmico.

Viver não cansa, o que desespera é ter que calar diante das vaidades maquiadas como piedade; é ter que respeitar os narcisismos travestidos de desprendimento; é ter que fazer vista grossa diante dos escroques de colarinho clerical: "porque eles também podem estar ganhando almas e despovoando o inferno".

Viver não cansa, o que chateia é ter que explicar para fariseus de plantão que beber um cálice de vinho não significa automática embriaguez, que dançar a valsa na formatura da filha não é pactuar com o mundo; é ter que arrazoar com analfabetos funcionais para mostrar-lhes que não existe diferença entre música cristã e do mundo (Só existe música boa ou ruim!).

Viver não cansa, o que amarga é ter que ficar calado diante dos maiores descalabros éticos, "porque a igreja 'X' está crescendo e o que importa são os resultados"; é ter que assistir a um monte de gente se esforçando para jogar a dignidade do Evangelho pelo ralo e precisar engolir seco porque: "aquela igreja 'X' é como um hospital de emergência onde as pessoas se convertem, mas depois procuram as igrejas sérias".

Viver não cansa, o que horroriza é conseguir detectar as agendas escondidas dos Benny Hinns da vida, a volúpia por poder dos que vivem das politicagens denominacionais, os cinismos teológicos dos evangelistas triunfalistas e ainda assim precisar explicar-se porque não participa de eventos, de marchas e de conferências ao lado deles: "já que o Corpo de Cristo não pode se dividir".

Viver não cansa, o que exaure é ver as igrejas lotadas de incautos em busca de um Mega Milagre porque: "ao fazerem a sua parte, Deus ficará obrigado a fazer a dele"; é saber que cada
campanha de oração que "vai destrancar os cadeados do céu", na verdade, foi projetada para arrancar mais dinheiro dos simples; é notar que muitos nas elites religiosas não diferem em nada dos políticos que só sabem defender seus interesses.

Viver não cansa, o que debilita é ter que lidar com a fofoca de quem não tem brilho próprio; é ter que admitir que vários fazem do sacerdócio um jeito de progredir com um esforço mínimo; é saber que a indústria da "música gospel" fatura em cima da vaidade de cantores que jamais dariam certo fora das igrejas e que, para compensar a falta de talento, vivem a fazer biquinhos, vertendo lágrimas forçadas.

Viver não cansa, realmente, não cansa. Faz bem à alma lidar com jovens grávidos de sonhos, com mulheres íntegras, que não medem esforços para acolher os esquecidos e com anciãos que destilam uma sabedoria acumulada pela experiência.

Os poetas com suas intuições, os músicos com suas percepções, os professores com sua erudição, os pastores com sua dedicação, continuam a encantar.Os atletas com sua disciplina, os profetas com sua veemência, os missionários com sua coragem, são um bálsamo que cura as feridas da desesperança.

Viver é tão bom que dá ganas de continuar, continuar...

Ricardo Gondim

Como ludibriar o rebanho com entretenimento e prosperidade (3)

22 Outubro, 2007


Regra Número 3:
Fique papagueando o jargão que somente os ungidos costumam usar: “Clame pelo sangue de Jesus”.




a) Não importa o fato de que não haja qualquer precedente na Bíblia para a frase acima. Como a mesma soa espiritual, então que seja usada constantemente. Repetida sempre e sempre ela pode dar a impressão de algum ingrediente mágico no sangue de Jesus, ficando no mesmo nível da água benta, do incenso, das velas acesas e do uso do crucifixo [NT: Hábitos muito comuns aos católicos], como proteção para o rebanho. (Esses itens supracitados poderão ser vendidos com um bom lucro, se forem “ungidos”).Conhecer o linguajar dos “ungidos” poderá elevar você ao reconhecimento e colocá-lo na posição de ludibriar o rebanho pelo entretenimento e pela profecia, de maneira mais rápida.Falar diretamente com Satanás é muito impressionante, mas você deve evitar que eles vejam que isso não é bíblico. Juntar palavras e frases capciosas à mímica deve ser feito conforme abaixo e JAMAIS esqueça de “invocar o nome de Jesus” (Tente falar “Jesus” o mais longo possível: Jeeeeeeesuuuuusssss. Quanto mais longo, melhor).
“Satanás, estou aqui em nome de Jesus”.
“Satanás, você está amarrado em nome de Jesus”.
“Satanás, eu ordeno que você volte para o inferno, em nome de Jesus”.
“Satanás, eu repreendo você em nome de Jesus”.

(Não esqueça de enfatizar o pronome EU. Isso vai colocar você em foco como alguém com poder para fazer essas coisas. Isso também coloca o foco em Satanás e não esqueça de invocar o nome de Jesus para um toque de religiosidade, que vai dar a impressão de poder. Se você conseguir desviar o foco de Jesus, então isso vai convencer o rebanho de como ele precisa dos que ocupam a posição de “ungidos”. Apontar para Jesus vai atrapalhar a posição de ungido e de continuar com o engodo; portanto, todo cuidado nessa área é pouco!)

b) Mais algumas palavras e frases capciosas:
* Afirmar, confessar e exigir a cura em nome de Jesus é bom, mas retira a atenção de sua unção. Mais uma vez, quanto mais arrogante você for, mais chamará a atenção das ovelhas sobre a sua “unção”.
* Aleluia, Louvai ao Senhor, glória e amém. (repita sempre e sempre, e para mais ênfase, um assobio às vezes é bom. Quanto mais alto melhor, para que escutem a sua unção).
* Gritos de glória e “vivas ao Espírito Santo, devem ser atirados às vezes. Se você for vencido pelo riso, será fácil engodar o rebanho, afirmando que se trata do “riso santo” e todos irão a você (o que vai levá-lo a rir mais fortemente; mas não se preocupe, pois eles vão rir muito, o tempo todo).
* Cantar, dançar, falar e andar no Espírito são certamente fogo nas palavras “ungidas”, as quais serão notadas!

c) - Semente de fé. Este termo indica que os crentes estão plantando uma semente de fé e vão conseguir uma colheita em dinheiro por causa dela. Usando essa idéia, você pode conseguir que as pessoas lhe enviem grandes somas de dinheiro sob a promessa que receberão de volta o valor centuplicado. As pessoas são ambiciosas por natureza e a ilusão da promessa de receber milhares de dólares de volta é uma poderosa indução.
(Tenha a certeza de que elas ficarão longe da leitura de Marcos 10:29-30, porque você não vai querer dar a elas um lampejo sequer de que as perseguições também poderão acontecer em suas vidas. Livre-as de qualquer idéia de que o estilo de vida que você está promovendo poderia algum dia causar-lhes problemas). Isso também vai dar-lhe uma excelente oportunidade de usar a culpa e a intimidação para coagir as pessoas a lhe mandarem grandes somas como “ofertas de amor”. Obviamente, se elas não quiserem lhe enviar esse tipo de “oferta de amor”, então é porque não têm bastante fé para plantar. Termos acusatórios sobre a sua falta de fé, se não lhe enviarem dinheiro, neste caso funciona bem e vai lhe garantir um proveitoso ministério para muitos anos futuros.

Resumo:
Lembre-se que a natureza corrupta do homem o conduz à busca de fama e fortuna para si mesmo, excluindo o próximo. Pode ficar certo da continuação, caso se lhe ofereça a possibilidade de conseguir riqueza e poder. Tendo isso em mente, continue a apelar para a sua natureza corrupta, espiritualizando-a, a fim de que as ovelhas pensem que as coisas que elas desejam são as que Deus quer que elas possuam.
Repita constantemente frases como “Deus deseja que vocês sejam ricos, saudáveis e felizes, acima de todas as cosias”. Evite as pessoas que afirmam que a maturidade espiritual é mais importante aos olhos de Deus que o sucesso financeiro. Conserve o seu rebanho longe desses tipos. Eles podem ser devastadores para o seu ministério.
Se o rebanho falhar em alguma coisa, use a intimidação e o medo para que ele continue intacto. Essa tática vai garantir a continuidade do seu próprio bem-estar financeiro. Lembre-o de que se ele falhar nessas coisas será pela falta de fé, a qual está evitando que as bênçãos de Deus aconteçam.
Lembre-se que você tem de andar conforme fala, a fim de conservar a credibilidade. Isso quer dizer: nunca mencionar que você pode pegar um resfriado, pode deixar de se sentir feliz e que está com problemas financeiros. Cometer um erro assim seria uma rápida maneira de destruir o ministério de levar o rebanho no papo. Você é o exemplo de tudo que Deus deseja para ele e demonstrar qualquer sinal de fraqueza humana vai minar tudo que você esperava conseguir. A ilusão é tudo.
Se você descobrir que alguém está querendo sair, use depressa o medo e a culpa para conservá-lo no rebanho. Uma tática muito eficiente é a de ameaçá-lo com a perda da salvação, caso ele saia. Ameace também os seus filhos, dizendo que se ele sair, seus filhos vão pagar pela sua falta de fé. Esta é uma boa maneira de conservá-lo na linha, pois a maioria dos pais ama demais os filhos.

(artigo “Official Handbook Of How To Fleece The Flock For Fun And Profit”) © 1998 -2002 - do OAIM (Ministério Internacional Braços Abertos).

fonte: site do CPR (Centro de Pesquisas Religiosas)

Como ludibriar o rebanho com entretenimento e prosperidade (2)


Regra Número 2



Para um ministério prosperar, o dinheiro deve ser regularmente extorquido do rebanho. Não tome todo o dinheiro dele, de uma vez, porque isso poderia fazer a fonte secar e você deve ter a certeza de receber ofertas durante muito tempo, a fim de aumentar o seu lucro. Continue fazendo com que os seus seguidores tenham esperança de que os ensinos recebidos funcionam de fato.Isso pode ser conseguido, mostrando como o Senhor o tem abençoado, quando você dirige a sua limusine. Assegure-os de que eles também podem tornar-se servos ungidos de Deus, recebendo as mesmas bênçãos.Alguns dos truques seguintes podem funcionar muito bem; eles têm sido tentados e testados. Contudo, quando esses truques começarem a falhar, use um pouco de imaginação para conservá-los atuais e excitantes.

a)
Oração ungida sobre roupas e acessórios. Isso tem sido uma boa novidade e com muito sucesso. Esse truque não funciona bem com as ovelhas mais idosas, mas existem muitas ovelhas novas que ainda acham isso excitante. Você pode ter uma variedade de roupas e adereços ungidos que as conservará freqüentando, por enquanto. Roupas e acessórios podem servir para unção, riqueza e poder. As possibilidades são quase ilimitadas com uma imaginação fértil. A margem de lucro pode ser muito grande porque as roupas e acessórios são baratos na compra e podem dar um bom lucro, quando vendidos por preços mais altos do que valem, por causa da “unção”.

b) Orar sobre cartas. Esta é outra maneira de atrair lucro. Uma vez que o seu investimento financeiro é quase nulo. Faça com que os membros enviem cartas com pedidos de oração e você pode estabelecer o preço para orar sobre as mesmas. Quanto você cobra depende do quanto você deve ter convencido as ovelhas de sua unção. Um bom profeta ungido pode receber 20 pratas ou mais por oração, se esta for manejada corretamente. Tenha a certeza de que tem uma maneira de se livrar das cartas, a fim de que estas não entulhem o seu espaço particular no escritório.

c) Se alguém optar pelo ministério de libertação como um meio de lucro e gratidão, você pode oferecer acessórias ungidos para afugentar os espíritos, fixando o preço conforme a severidade do demônio. Eu não recomendaria o uso do termo “dólares contra os demônios”, porque isso poderia não soar muito espiritual. Contudo, esse ministério garante lucro e reconhecimento, porque os demônios não ficam presos por muito tempo e logo voltam. Então, você será chamado sempre e sempre para exorcizar os mesmos demônios das mesmas pessoas. Evite muito trabalho nessa área, porque as pessoas depressa ficarão dependentes de você para conservar os demônios longe. Se elas se tornarem insatisfeitas e o questionarem, chegou o tempo de você as despachar como cães que continuam voltando ao seu próprio vômito. Lembre-se que sua imagem precisa ser protegida e jamais aceite perguntas tolas, como: “Por que não funciona?” A chave para um ministério bem sucedido é jogar a culpa sobre a ovelha. A arrogância será sua melhor aliada para o manter a salvo do rebanho.

d) A era eletrônica é maravilhosa e não se pode negligenciar este meio de lucro e gratidão. Você pode convencer o rebanho de que Deus está sempre presente em toda parte, inclusive na Internet. Faça com que os possessos dos demônios ou enfermos coloquem as mãos e a testa diante da tela, convencendo-os de que Deus está tocando-os através de você, pelo monitor.Coloque em seu website um desenho em que você apareça com a mão estendida para eles. Isso os convencerá de que você realmente está orando em seu favor. Declare que as orações só irão funcionar se eles tiverem remetido dinheiro. Sua reputação é que vai determinar o preço a ser fixado por essas orações. O poder de sugestão funciona bem; os hipnotizadores têm usado esse princípio por muitos anos. O importante é que o cliente esteja mentalmente convencido de que a “unção” está fluindo para ele através da tela do monitor. Então, você pode pedir mais ofertas para futuros toques ungidos.

fonte: site do CPR (Centro de Pesquisas Religiosas)

Como ludibriar o rebanho com entretenimento e prosperidade (1)

21 Outubro, 2007

Regra Número 1

a) - Aprenda a falar as palavras capciosas dos cristãos “ungidos”. Você pode começar repetindo a palavra “ungido” em sua conversa, fazendo com que as pessoas de fato acreditem que você possui essa unção especial. (Veja a regra 3, para ter uma completa lista dessas palavras capciosas). Congregar pessoas na audiência para serem “curadas” é uma boa maneira de captar a confiança do rebanho. Contudo, tenha a certeza de que o incômodo do qual elas desejam ser curadas é invisível, não podendo ser constatado pela Medicina. Enxaquecas e outras dores e incômodos são excelentes motivos para uma boa capitalização. Esteja certo de escolher de antemão as pessoas, de modo que elas não publiquem o que está acontecendo.Persuadir as pessoas de que você vai lhes dar um conhecimento secreto, o qual outras pessoas não conhecem, pode atraí-las como moscas para o mel. Isso vai encorajá-las a ficar maravilhadas diante do seu conhecimento. Quando as pessoas reconhecerem que você possui essa “unção”, você logo poderá afirmar o seu apostolado ou se estabelecer como um “profeta de Deus”. Isso funciona muito bem porque as pessoas preferem ouvir um “profeta” que escutar a voz de Deus através do estudo de Sua Palavra. Lembre-se de evitar que elas descubram que você se “ungiu” a si mesmo. Isso é vital. Se elas virem que você é o único a afirmar que foi “ungido”, você jamais conseguirá a afluência do rebanho, e não vai conseguir o entretenimento e o lucro que vão chegar, quando você conseguir ludibriar as ovelhas.

b) - Estabeleça-se como um profeta de Deus, fazendo algumas predições. Não importa se estas não se cumprirem, pois você sempre vai poder afirmar a falta de fé como a razão para que estas não tenham se cumprido. O segredo do sucesso é jogar a culpa sobre os outros, quando estiver num local apropriado. O que quer que aconteça, jamais assuma a responsabilidade pelo fracasso da profecia, pois isso poderá manchar a sua imagem e atrapalhar a tosquia do rebanho para o entretenimento e a prosperidade. Você também deve evitar que o rebanho chegue perto de passagens da Bíblia, as quais dizem que um profeta deve ter 100% de acerto, conforme Deuteronômio 18. É necessário conservá-lo longe dessas passagens, lembrando-o de que todo mundo pode falhar. Se você mantiver o foco sobre as pessoas falíveis, seu rebanho não vai saber que as profecias supostamente vindas de Deus são infalíveis.

c) - Se alguém o desafiar como um profeta de Deus, faça com que ele se lembre do verso “Não toqueis nos meus ungidos” e as conseqüências sobre quem “blasfema contra o Espírito Santo”. Nunca os deixe perceber que essas passagens nada têm a ver com você ou com a situação em pauta. Vai soar muito espiritual se você lhes falar essas passagens em voz alta, olhando-os severamente nos olhos... É essencial que você sempre amedronte o rebanho, o máximo possível, para ter a certeza de que as ovelhas têm medo de você. O medo é uma grande ferramenta a ser usada, a fim de garantir a tosquia do rebanho.

d) - Desencoraje o rebanho de ler a Bíblia sozinho. Relembre-o sempre de como o Espírito Santo tem falado com você, o que reduz a necessidade de suas ovelhas estudarem a Bíblia, visto como os seus conhecimentos são até superiores aos da Bíblia. Não esqueça de injetar um verso, aqui e ali, de modo que elas pensem que isso é de Deus. Procure versos obscuros, de modo que o rebanho não descubra que eles nada têm a ver com o que você tem ensinado. É aconselhável usar a Versão da Bíblia King James, pois a maioria das pessoas hoje em dia não entende o seu Inglês clássico e você pode fazer com que elas entendam os versos exatamente como você deseja. Se alguém o desafiar, invoque o seu “divino conhecimento da revelação” e repita as clássicas frases do item “c”. Se alguém no rebanho tentar ler a Bíblia por conta própria, tenha a certeza de interpretar as Escrituras para ele [NT: como os hierarcas romanos têm feito há muitos séculos], dizendo o que elas “realmente” significam. Será proveitoso que você escreva o seu próprio estudo bíblico, com as suas próprias anotações nas margens. As versões em couro podem ser vendidas por mais de 80 dólares cada uma e podem oferecer uma fonte de lucro por muitos anos.

e) - As pessoas mais chatas são aquelas que ficam insistindo na sã doutrina e é preciso ficar alerta quanto a esse tipo de gente, a qualquer custo. Seu lucro e reputação estão em jogo neste ponto. Contudo, isso pode ser facilmente superado com a frase capciosa: “Será que podemos continuar? Todos nós amamos Jesus”. Convença o rebanho de que a doutrina é divisora e o que importa é amar o Senhor. Isso funciona bem, pois os que insistem no assunto são rotulados como divisores e isso questiona a sua espiritualidade. Quando se chega a esse ponto, fica fácil deixar de lado o que eles estavam falando.

f) - O emocionalismo é essencial para o ministério de engodar o rebanho. Imite os mais bem sucedidos enganadores e pratique isso, até que se torne um hábito. Ande agressivamente para a frente e para trás, no palco, acenando amplamente com os braços, com a certeza de estar falando rápido e em voz alta. Para dar mais ênfase, sussurre algumas vezes para que todos se esforcem para escutar você e em seguida dê um forte gemido, para que eles pulem de suas cadeiras.Verter lágrimas e ficar ensopado de suor na fronte e no queixo, enquanto está pregando, ajuda bastante a demonstrar “unção”, garantindo que o rebanho está recebendo uma mensagem “ungida”. Dance bastante e fale “Uuuuh! Sinto a unção chegando sobre mim... Ó glória!” Esteja certo de fazer barulhos estranhos, às vezes, e diga que está falando nas línguas do Espírito. Isso impressiona demais e assegura a admiração do rebanho sobre você.


fonte: site do CPR (Centro de Pesquisas Religiosas)

Dom de Iludir

20 Outubro, 2007

“Minha viagem será um espetáculo. É a primeira vez que vou pregar naquela igreja. Trata-se de uma comunidade com mais de 500 membros e fica num bairro de classe média-alta. O faturamento do final de semana está garantido. Ah, como eu gosto disso.”
Muito conhecido e requisitado, o pastor estava no aeroporto vestido para entrar em campo. A tal igreja mencionada já havia recebido o e-mail com uma série de “recomendações”, eufemismo para traduzir as exigências do aspirante a popstar.
Segundo o folclore vigente, é possível classificar o artista de acordo com a lista de exigências que apresenta aos produtores. Uma centena de toalhas brancas, waxflower da Austrália e frésias dos Países Baixos nos arranjos florais (não os de Bach), lichia e açaí na cesta de frutas, além de caixas de bebidas alcoólicas variadas para elevar, digamos, a adrenalina às alturas antes do show.
Já os aditivos para os pastores showmen geralmente passam pelo bolso. Não apenas o poder exerce efeito afrodisíaco... Se considerarmos o buraco negro que caracteriza a vida financeira de alguns expoentes desse meio, recomendaria servir antes dos cultos jarras com maracujá e pitaia batidos, resultando no emblemático suco “maracutaia”.
Não me venha falar na malíciaA rotina de viagens dos popstores (com trocadilho, claro) é um tanto estressante mas tem sua magia. É comum exigirem hotéis com muitas estrelas, aquisição mínima de um combo de produtos variados e passagens aéreas de determinada companhia (facilita a viagem de férias com a patroa e os filhos para a “América”, como costumam dizer os “emergentes”).
Com quilometragem maior, outros mais abusados incluem detalhes que são uma graça. Nada divina, no caso. Por exemplo: o carro que for buscá-los no aeroporto deve ter ar condicionado. A regra vale inclusive para Porto Alegre no inverno.
Antes da mensagem que será repetida pela enésima vez, é o momento do “camelódromo gospel”. Com desenvoltura de apresentador do ShopTour, eles desfilam sua vitrine de CDs de mensagens e livros de edição própria, já que provavelmente as obras não seriam aprovadas pela maioria das editoras. As ofertas de “pague 6 e leve 15” por vezes são entremeadas de menções a obras de cunho social ou qualquer outro verniz que torne mais nobres os fins advindos da comercialização dos meios.
Você está, você éNa hora da pregação, é comum os preletores de aluguel derramarem elogios ao líder da igreja local (“um homem respeitadíssimo em todo o país”), à galera do louvor (“me senti no céu na hora em que estávamos cantando”), ao templo (“os irmãos estão de parabéns por construírem um lugar tão lindo e aconchegante”), numa sucessão de rapapés para lustrar o ego coletivo e amolecer o coração do mercado-alvo da feirinha que vai rolar depois do culto.
As mensagens têm exegese e hermenêutica de procedência duvidosa. Na falta de conteúdo, costumam abusar de clichês do tipo “você é mais que vitorioso”, “tudo posso naquele que me fortalece” e a todo momento pedem para repetir alguma afirmação pseudoprofética para o irmão do lado. Espectadores mais desconfiados remascam se a Bíblia deles tem apenas um terço das páginas, volume suficiente para reunir os trechos das mesmas pregações rep(r)isadas ad nauseam. “Hoje vou falar sobre uma mulher que encontrou Jesus e teve sua vida mudada...”.
Você faz, você quer, você temModestíssimos, os pregadores itinerantes a-do-ram ilustrar as mensagens com episódios de sua própria vida. A infância sempre foi pobre e cheia de dificuldades, mas os planos de Deus sempre são de dar prosperidade. A menção a Jeremias limita-se àquele solitário versículo do capítulo 29. Toda a trajetória do profeta chorão é esquecida na hora de inspirar as pessoas a “conquistar a vitória”, “envergonhar o inimigo” e outras frases de efeito.
“Hoje tenho uma casa grande, três carros zero na garagem e blábláblá”, contam para adubar a fé da platéia. Se alguém fosse até a casa dos saltimbancos da prosperidade constataria que a realidade simultaneamente tem glamour e uma indisfarçável atmosfera kitsch.
Na sala (ou “living”, como a esposa prefere chamar porque acha mais “chique”), sofás brancos e almofadas com estampas de onça e zebras. Ressentidas da falta de um portrait by Camasmie feito com chocolate, as paredes acomodam várias láureas de associações obscuras e o indefectível diploma de “Doutor em divindade”. Poucos sabem que o tal curso foi feito pela Internet e pago a prestações no cartão de crédito Platinum. “Plata, prata, plaga, praga”, comporiam os irmãos Augusto e Haroldo de Campos num arroubo (epa!) profético-concretista.
Você sabe explicar, você sabe entenderSiderados com a mise-en-scène um tanto caricata, os visitantes neófitos têm dificuldades para discernir se estão numa igreja ou em uma palestra de nerolingüística. Cada vez que os gestos se tornam mais largos e o volume da voz do pregador aumenta, os “aleluias” e “glórias” se multiplicam. Uma menção ao capiroto provoca aprovação ainda mais estrepitosa. Améééém?
Na tentativa de conferir um certo refinamento ao discurso lasso, os preletores de aluguel têm o hábito de entremear sua prosopopéia flácida com citações e menções às últimas leituras. Usualmente, as obras mais densas que leram em toda a vida foram opúsculos de Roberto Shinyashiki ou Augusto Cury. A cartilha Caminho Suave não entra no rol de leituras, por supuesto.
Dependentes da languidez espiritual da platéia, oferecem-lhe apenas placebos que vão durar até a próxima “reunião da vitória”. Muitos no auditório reconhecem isso, mas mentiras sinceras lhes interessam, como cantou o poeta Cazuza.
Cale a boca e não cale na boca notícia ruimA pronúncia claudicante e a concordância tosca revelam o círculo vicioso e empobrecedor no qual estão embrulhados esses replicadores de meme(nsagens) desprovidas de sustância. Num equívoco contumaz, optaram equivocadamente pela “glória-pires”: pouco profunda e de vida curta. Como aconteceu com os filhos de Ceva, são conhecidos por aqui e muitos permanecem anônimos no inferno.
Do ponto de vista psicológico, esse tipo de comportamento sinaliza traços de desvario para compensar sua dor mais aguda: a falta de respeito em certos grupos aos quais C.S. Lewis chamaria de “círculos fechados”. Incensados pela massa ignara, sofrem em razão da consciência de que são alvo do menosprezo daqueles que, em última (e secreta) instância, gostariam de ser. Isso talvez explique o fato de às vezes elegerem alguns alvos para assestar sua inveja travestida de defesa da sã doutrina.
Fosse isso possível, cederiam os bens e a contínua lisonja para conseguir aquilo que a grana não é capaz de adquirir. Solitários por dentro e por fora, têm apenas o travesseiro por confidente. Limitados pela teia que eles próprios urdiram, a cada dia “tornam-se o que são”, cumprindo a máxima de Nietzsche. Preço demasiadamente alto para uma existência que não se repetirá. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.


texto de Sérgio Pavarini que será publicado na próxima edição da revista Eclésia.

Vamos pregar sobre sexo

19 Outubro, 2007

O horror que cristãos de todas as estirpes nutrem ainda contra o corpo, contra o prazer sensorial e contra a sexualidade não se origina na herança da Bíblia hebraica, na tradição dos apóstolos ou no ensino de Jesus. Ao contrário: nosso pessimismo sexual não tem suas raízes na tradição bíblica, mas na influência exercida pelos filósofos estóicos e gnósticos sobre os cristãos dos quatro primeiros séculos.
Os filósofos estóicos prescreviam o controle completo da vontade sobre as paixões e as emoções. Seu ideal de humanidade era em tudo semelhante ao personagem Dr. Spock da série Jornada nas Estrelas original: um homem que busca honestamente a virtude, mas desconhece o tráfico, tipicamente humano, com as frustrações e os prazeres. Dos estóicos (como Sêneca, tutor de Nero) herdamos a hipervalorização do celibato e a idéia da abstinência dentro do casamento como coisa virtuosa. Os estóicos ensinaram-nos a noção extrabíblica de que todo prazer sensorial é uma ameaça e uma tentação, e que portanto a única atividade sexual legítima é a que visa a procriação.
Os gnósticos, por sua vez, criam que o mundo físico não era obra de um Deus bom, mas de demônios, e que a incorpórea alma humana era a única centelha de verdadeira luz neste lodaçal de matéria. Dos gnósticos herdamos o desprezo pelo corpo, a demonização da matéria, o desprezo pela experiência sensorial e a hipervalorização do ascetismo.
O cristianismo reduziu a moralidade à moralidade sexual.Foi a influência dessas idéias, e não a leitura dos Testamentos, que criou a postura de gente como Agostinho, que só admitiu depois de muita hesitação a possibilidade de Adão e Eva terem mantido relações antes da Queda; mas o sexo antes do pecado, garantiu Agostinho, teria sido operação necessariamente santa e portanto mecânica, inteiramente isenta de prazer. Pela mesma razão Maria, mãe de Jesus, teve sua sexualidade cauterizada de modo a permanecer eternamente virgem, mesmo durante e depois do parto de Jesus. Seria coisa inconcebível, assegurou o papa Sirício no terceiro século, que Maria se rebaixasse à “intemperança” do prazer sexual; inconcebível que seu útero, “aquele átrio do rei eterno”, fosse “maculado pela presença [posterior] do sêmen masculino”.
Com a assimilação do pessimismo estóico e gnóstico, o sexo e o prazer passaram a ser vistos a uma luz cada vez mais negativa, mesmo dentro do casamento, até que o celibato completo passou a ser requerido dos líderes eclesiásticos. Na equação do negativismo sexual, sexo nenhum equivale a nenhum prazer, e nenhum prazer equivale a muita virtude.
Consolidava-se assim, nos primeiros séculos do cristianismo e graças a uma influência alienígena à visão de mundo bíblica, uma tendência que nem os ajustes da reforma protestantem seriam capaz de abalar: para o cristianismo histórico, a moralidade ficou para sempre reduzida à moralidade sexual.
Perdemos assim a sanidade da visão judaica a respeito do sexo e do prazer, que é favorável e celebratória e nada tem de neurotizada. Ainda mais importante, perdemos de vista o coração do ensino de Jesus sobre ética e santidade.

Como deixam claro os evangelhos, a postura e o ensino de Jesus requeriam uma profunda revisão na nossa rasteira noção tradicional de moralidade. Afinal de contas, o mesmo Jesus que comia e bebia com gente de má fama, que via heróis em prostitutas e marginais e tinha prazer na companhia de pecadores, enxergava corrupção e podridão na vida dos carolas, devotos e santinhos da sua época.

Para Jesus, como espetacularmente demonstrado no Sermão do Monte, nada é simples na moralidade, especialmente o reducionismo: nossa tendencia a nos sentirmos seguros na abstinência e a tendência correspondente de condenarmos os outros em seus excessos.
Cegados pelo falso brilho do estoicismo e pelas promessas tortas do gnosticismo, os cristãos eliminaram de forma brutal todas as sutilezas do ensino de Jesus sobre a moralidade, e passaram a proclamar a má nova – tudo que dá prazer é pecado – ao invés da boa – não há ninguém sem pecado, por isso a graça da aceitação está disponível para todos.
Hoje, dois milênios depois, permanecemos reduzindo religiosamente a moralidade à esfera sexual. Jesus não tolerava a mentira, a ganância, o orgulho e a crueldade; nós toleramos tudo isso, mas quem não se submeter aos nossos elevados padrões de moralidade sexual terá de ser excluído do nosso meio.
Os católicos permanecem obcecados com o celibato e com a contracepção; os protestantes permanecem obcecados com a virgindade antes do casamento e com a homossexualidade. A mentalidade evangélica permite a exploração de pessoas pelo capitalismo e a alienação social que ela ocasiona, mas não tolera a união sexual antes da sanção reparadora do sacerdote. O Vaticano ensina que padres não podem casar-se, e trata como embaraçosa infelicidade o fato de que tenham de recorrer eventualmente a meninos. A igreja evangélica norte-americana, patrocinadora ideológica dos avanços militares dos Estados Unidos, é reconhecida, essencialmente, pela sua postura antihomossexual; ou seja, um homem pode matar outro, mas não pode beijá-lo. As campanhas católicas contra o uso de anticoncepcionais são reflexos contemporâneos da antiga luta estóica contra o prazer; a única função legítima do sexo, como ensinava Sêneca, deve permanecer a procriação.
Para os cristãos do terceiro milênio, toda imoralidade – a única verdadeira imoralidade – é sexual. O inquietante é que, com o passar do tempo, perdemos a capacidade de ver que não há nessa postura nenhum traço de Jesus, do Antigo Testamento ou dos apóstolos. Pela familiaridade com o nosso próprio discurso, tornamo-nos inteiramente incapazes de reconhecer nossa neurose sexual.
Ao contrário, o que fazemos constantemente é acusar o mundo contemporâneo de ser obcecado com sexo. Pode ser hora de reconhecer que, depois de milênios do nosso exemplo, eles simplesmente aprenderam conosco.

Paulo Brabo

A liberdade religiosa, realidade ou ficção?

Quando trabalhei na Portas Abertas fui abduzido pelo propósito máximo da missão: lutar pela liberdade religiosa. Víamos o mapa-mundi nessa perspectiva. Naquela época, ainda em tempos da Cortina de Ferro, a maior parte do mapa tingia-se da cor escura (regiões fechadas à liberdade religiosa) em mais de dois terços do planeta, demonstrando a escalada da ruptura do ser humano em relação às suas crenças religiosas. A missão deveria desempenhar o papel de defender esses direitos humanos ameaçados em todo o mundo e aqui no Brasil, também, mas com os paspalhos que estão lá, hoje em dia, isso jamais acontecerá.
Com a queda do muro de Berlim houve um retrocesso e um terço dos viventes readquiriu o direito de ir à igreja que desejasse e comungar a fé que melhor lhe aprouvesse, pelo menos no leste europeu.
Os ataques norte-americanos à religião muçulmana praticada em maior escala no oriente médio, provocou um endurecimento dos adeptos de Maomé e as conseqüências conhecidas de todos. Hoje, o Iraque, antes um país que vivia sob uma ditadura política, é palco de disputas econômicas e religiosas, além da política.
No Brasil, a questão tem suas características próprias. Há uma grande animosidade entre a igreja católica e a protestante. Só não é pior porque a igreja protestante daqui é desorganizada e sem grande representatividade. Os fatos mais significativos e importantes estão relacionados à liberdade de culto. Os atores envolvidos escondem interesses econômicos atrás de suas escaramuças. Via de regra, utilizam a justiça e os meios de comunicação para fazer o trabalho sujo, quando não são eles próprios os envolvidos. As acusações, quase sempre, apontam para questões envolvendo doações em dinheiro, o fim dado a elas e as famosas falsidade ideológica, estelionato e formação de quadrilha.
Minha intenção não passa nem perto de tentar inocentar quem quer que seja. Não sou juiz e não tenho tal pretensão. O que enxergo nessas escaramuças é a ameaça à uma de nossas liberdades individuais garantidas pela constituição.
Quem está capacitado a julgar se a ideologia desta ou daquela igreja está certa ou errada? Com base em que seriam estabelecidos os parâmetros para condenar ou absolver essa ou aquela seita? Na Bíblia? No Alcoorão? Na Torá? Nos Vedas? Que autoridades poderiam fazê-lo?
Desde os tempos de Adão e seus filhos indisciplinados a doação já era uma prática comum e aceita sobre a face da terra. Se não quisermos olhar para os milhares de anos antes de Cristo, basta dar uma boa olhada para o que aconteceu nos dois mil anos passados depois dele. Quantos milhares em dinheiro, ouro, terras, mercadorias, haras, porcos, galinhas e ovos foram doados a todo tipo de igreja e com destaque às igrejas católicas, protestantes e muçulmanas?
Onde está todo esse dinheiro e valores? Bem, todo mundo conhece o Vaticano e sua opulência. Não deveria o nosso Ministério Público investigar como foi que a igreja católica fez tudo aquilo? Quem sabe, preventivamente, não deveriam solicitar a extradição do Papa? Aliás, perderam uma boa oportunidade de prendê-lo e interrogá-lo quando esteve aqui, pouco tempo atrás.
Mas se não quiserem ir tão longe, o MP poderia começar sua investigação aqui mesmo, apurando como foi construído aquele mausoléu em Aparecida do Norte e se aquela estátua tem mesmo algo espiritual ou seria apenas um instrumento de culto criado para inspirar o povo a fazer doações. No lado protestante, também haveria muito a ser investigado. Acumulo de propriedades, opulência dos líderes e vai por aí.
A grande verdade é que nada disso é necessário à luz da nossa constituição que, acertadamente, garante a todos nós a liberdade de acreditar no deus de nossa preferência, seja abstrato ou concreto. Doações não são e jamais serão crime. Esse é outro direito garantido pela constituição, ou não temos o direito de usar nosso dinheiro como bem entender. Será que será preciso outro filme do Frank Capra com o Gary Cooper jogando dinheiro do Empire State Building para lembrarmos disso?
As Igrejas que mais crescem no mundo são um sério fenômeno sociológico a ser estudado. Por que razão as pessoas as buscam e crêem no que elas pregam? Como a Igreja Católica conseguiu convencer tantas pessoas ao longo de dois milênios com seus pressupostos dúbios? E as outras?
O que está em jogo, como nos conta a história, é que as liberdades individuais começaram a ser diminuídas pela perda da liberdade de culto, na maioria das vezes em que ocorreu perda total desses direitos. Os grandes impérios perseguiram os religiosos, as grandes ditaduras (de esquerda e direita) também. Estou esperando o Chaves (Venezuela) começar a bater nessa tecla, inclusive, já o vi reclamando de um clérigo que ousou contestá-lo. Depois dele será a vez do Morales e, a seguir, do Lula, claro.
Podem desacreditar, discordar e não abraçar essas religiões. Mas as pessoas tem o direito de freqüentá-las e, a seu juízo, doar-lhes o que quiserem. Pior é o cara ir à justiça pedir de volta o que doou livremente e ter sua causa acatada. Como eu disse no post anterior, e Jesus há dois mil anos, os ratos e as baratas estão e estarão aí, sempre, para fazer o trabalho sujo. Seja com doutrinas da prosperidade, da santa achada no leito do rio, com incenso, velas, cursos em DVDs, candelabros ou tapetinhos, eles são o tal mal necessário, pois as pessoas desprezadas, sofridas, inseguras, atônitas e abandonadas não tem para onde ir, nesse mundo de predadores incontáveis.

"Querem acabar com essas religiões sem liquidar com a liberdade? Comecem a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo. Não vise lucro na pessoa a seu lado. Estenda a mão a todos e ofereça ajuda a quem precisa, antes que peçam. Abrace mais, sorria mais e deixe cada um viver como melhor lhe convier".

Outra opção é encontrar uma boa Gruta, onde ninguém lhe pregue nada e, muito menos, lhe peça nada. Não é o caso aqui, onde vivemos pedindo algo. Claro, afinal ninguém é de ferro.

Lou Mello

O circo gospel chegou!

18 Outubro, 2007

Respeitável público!! Venha ver a menor cantora do mundo!! Não deixe de assitir ao show do pregador anão!! Não perca o homem que não tem ouvidos e ouve!! Venha ouvir a menininha de 3 anos que já é pregadora!! Venha ver o homem que tem 8 balas de revolver no corpo!! Assista ao homem que prega plantando bananeira!!Que a igreja dita evangélica no país já tinha assumido a sua postura de pão e circo, eu já sabia e isso era evidente há algum tempo, mas que ela, a igreja, havia assumido o papel de circo real é algo que tem me deixado impressionado.A cada dia que passa, nosso cardápio de atrações aumenta, na busca incessante de público para os nossos cultos-espetáculos. A Palavra deixou de ser pregada faz tempo, o louvor se tornou a repetição de frases-chavões durante longos minutos catársicos de uma coletividade doentia e reprimida, Deus passou de receptor do culto para um simples instrumento de manipulação de massa e cobrador dos impostos eclesiásticos que o pecador tem que pagar para alcançar a benção.Voltando ao começo, é triste ver a igreja brasileira caminhando para esse circo de horrores. A indústria dos testemunhos e dos seres esquisitos para pregarem a “palavra” parece não ter fim. Ninguém quer mais ouvir um pregador sério, que diga aquilo que realmente Deus fala em sua Palavra. O povo quer espetáculo!Se o pregador não tem um “atrativo” a mais, não serve. Tem que ser anão, ter menos de 5 anos, já ter sido quase morto em confrontos com a polícia, ex-isso, ex-aquilo, não ter língua e falar, e assim cresce a massa levedada pelo fermento dos espetáculos circenses de alcunha “gospel”.Já não satisfaz o culto verdadeiro, em espírito e em verdade, onde o louvor é comprometido com a verdade e onde a pregação nada mais é do que a exposição sincera e coerente da Palavra de Deus. Palavra ? O que é isso ? Nós queremos é o show!! Pagamos para isso, para vermos nossas igrejas lotadas, custe o que custar.Muitos já me falaram que os “artistas” não são tão culpados assim, afinal são as igrejas que os “contratam”, não? Sinceramente, ambos estão negociando com o evangelho. Há inegavelmente uma indústria de testemunhos e esquisitices evangélicas dominando o mercado. No caso das crianças creio que os maiores culpados são os pais que submetem seus filhos a essa lavagem cerebral para tornarem-se desde pequenas verdadeiros “papagaios espirituais” repetindo sermões, chavões e impressionando o povo medíocre que gosta dessas coisas. O preço da fama às vezes é a perda da inocência e da infância. São pais querendo tornar filhos crianças em adultos-pregadores-sérios. Enquanto Jesus manda que os adultos façam-se como crianças...No caso dos adultos, aí já é safadeza mesmo! É gente que quer ganhar dinheiro em cima dos crentes que não pensam, mas adoram ver as “coisas do espírito”. São aproveitadores da boa-fé do povo que vive pela fé. Se tivessem compromisso real com Deus não aceitariam os holofotes sobre suas anomalias para “exaltarem” a Deus. Isso é conversa pra boi dormir. Digo sem medo... e gostaria de ver uma dessas atrações circenses do nosso meio “gospel” negar isso olhando nos meus olhos.Quanto às igrejas que contratam, bem... desses eu já espero tudo mesmo... pois o que interessa a esses é a igreja cheia e o cofre abarrotado... o nome da igreja conhecido e o nome de Jesus diminuído... sepulcros caiados...cheios de espetáculos estarrecedores para esconderem suas anomalias reais...Que Deus tenha misericórdia desses que negociam a fé e nos obrigam a ficarmos como palhaços nos seus enormes picadeiros eclesiásticos.

Com tristeza no coração,

José Barbosa Junior