Romanos 8 – uma leitura!

11 Julho, 2009

Deus não tem mais nada contra os que estão em Cristo, porque os que estão nessa situação têm o poder do Espírito Santo atuando em si, de maneira que não estão mais condenados a viver em estado de rebelião, o pecado não os controla mais. Foram libertos pelo sacrifício de Cristo, tanto da prisão espiritual quanto desse controle.

Basta que se deixem conduzir pelo Espírito Santo, que é o que os distinguem como filhos de Deus, que viverão de modo agradável a Deus. Eles ainda têm a velha natureza neles, mas não são mais obrigados por essa natureza a nada, porque a presença do Espírito Santo, neles, manifesta uma nova natureza.

É fato que, o que é verdade para a dimensão espiritual não o é na física; ainda morrerão, mas com a certeza da ressurreição.

Ressuscitarão porque o Espírito de Deus, que ressuscitou a Jesus, vive neles, por isso eles não são mais prisioneiros da velha natureza; pelo contrário, podem anulá-la e às suas obras.

Eles não precisam mais viver de maneira medíocre, são filhos, chamam a Deus de Pai, foram adotados por Ele, e podem viver de acordo com o seu novo estado. Não precisam ter medo, o próprio Espírito é quem lhes garante que são filhos de Deus. Podem acreditar nisso e viver baseado nisso. Sempre que eles forem nessa direção, o Espírito os fará alcançar esse padrão de vida.

Eles estão identificados com Jesus, receberão tudo o que Jesus recebeu mas, agora, compartilham do sofrimento de Cristo. Eles o suportam, pois sabem que não dá para comparar com o que receberão.

Aliás, toda a criação sofre também porque Deus, por causa do crime da raça humana contra Ele, ao invés de aniquilar a humanidade, submeteu-a ao sofrimento (pôde fazer isso por causa do sacrifício de Jesus Cristo). E o sofrimento humano se estende a todas as criaturas sobre quem o ser humano tinha domínio (Gn 1.28) – daí porque a doença e a morte.

Todos, portanto, aguardam o grande dia da ressurreição da humanidade e de tudo o que estava debaixo da mesma. Todo o planeta será renovado. Por isso, é de se esperar que já, agora, os que sabem de sua ressurreição ajam em favor de toda a criação, preservando e restaurando, dentro de suas possibilidades, o meio ambiente. Porque os que aguardam a ressurreição, compreendem a dor das demais criaturas.

Eles, os que têm o Espírito Santo, que já saboreiam um pouco da glória futura, confiam que receberão todas as promessas que pertencem aos filhos, e esperam com paciência e certeza.

No dia-a-dia contam com o Espírito Santo, que intercede por eles com uma profundidade inalcançável, mas segundo a vontade de Deus, que é transformá-los em pessoas cada vez mais parecidas com Jesus. De modo que, tudo o que lhes acontece, coopera para que cheguem mais perto desse modo de viver. Deus decidiu que faria isso com eles desde antes da criação do mundo – o Pai decidiu que o Filho teria irmãos, passando de unigênito para primogênito, mas que todos os irmãos seriam como o irmão mais velho.

Ninguém consegue ser, de fato, contra eles, porque Deus é por eles. E não tem como eles serem acusados, porque Deus os declarou sem culpa – Ele os perdoou. Deus lhes deu o seu próprio Filho e, com ele, tudo o que eles precisassem para ser como Jesus de Nazaré.

Portanto, eles sofrem não porque Deus não os ama, mas porque eles se identificam com Cristo, e sofrem por estarem do lado de Cristo, e por tudo o que faria Cristo sofrer. Mas eles estão prontos! Eles sabem que são ovelhas que estão se identificando com o sacrifício de seu pastor, Jesus.

Assim, eles sabem que o amor de Cristo sempre estará com eles ajudando-os a ser mais que vencedores em qualquer sofrimento. A vitória deles não é não sofrer, é não ser derrotado por nenhum sofrimento.

Ariovaldo Ramos

Visões do Céu...

10 Julho, 2009

Bastaria a morte

Bastaria a morte e tudo estaria resolvido, mas Deus escolhe uma solução mais complicada e exigente. Na expulsão do Paraíso o Protagonista ao mesmo tempo adia a resolução do conflito e o reconhece, porém permanece impulsionado por ele.

O protagonista não precisava de nada, mas agora precisa conviver com o conflito. A fim de ao mesmo tempo proteger-se dele e mantê-lo heroicamente diante dos seus olhos, Deus transforma seu conflito numa instituição.

A expulsão significa que Deus não quer mais mostrar a sua glória, porque a transgressão humana, reflexo da divina, deixou inteiramente manifestas as complicações da autonomia. Em regime paralelo, o homem terá de ocultar sua própria glória, até que encontre um modo de administrar a sua autonomia.

O problema com o poder é que ele tem duas faces; uma é ensolarada e generosa e boa, outra é mesquinha e cruel e perversa. Diante da abundância da escolha, Deus escolhe algo criativo e bom; diante da abundância da escolha, o Homem escolhe algo injusto e prejudicial. Porém o nó está em que a liberdade humana permanece fruto rigoroso da liberdade divina: no devido tempo, em três parágrafos ou trinta anos, o poder acaba gerando a morte e a esterilidade. Isso deve-se menos às escolhas que fazemos do que à natureza corruptora do poder em si; é por isso que a glória deve ser escondida de imediato, em regime de absoluta emergência.

Na raiz mais essencial desta história, então, está o pressuposto de que toda manifestação de poder, todo exercício de autonomia, por mais bem intencionado que seja e mesmo que parta do mais iluminado dos empreendedores, envolve perigos terríveis e aparentemente incontornáveis. O poder torna-se motivo de embaraço tanto para quem faz escolhas generosas quanto para quem as faz perversas.

O coração do problema não está na diferença entre escolhas, mas na natureza ambivalente do poder.

Paulo Brabo

Lionel Richie - 'Jesus is love' Funeral de Michael Jackson

09 Julho, 2009

Verdades do Reino

07 Julho, 2009

Foi Jesus que disse aos fariseus, religiosos que viviam citando as Escrituras e tentando converter os outros, que as meretrizes entrariam no Reino dos Céus antes deles. E notem: Jesus não disse "meretrizes arrependidas". Entram as meretrizes mesmo e, atrás delas, entram também os fariseus hipócritas e tudo mais que Deus criou. Um Deus que é todo amor não pode ter no seu universo uma câmara de torturas eternas em que as almas sofrem por pecados cometidos no tempo.

Rubem Alves em "Espiritualidade" Ed. Papirus, pg. 81

A curva do imponderável

06 Julho, 2009

Persisto, mesmo depois de derrapar na curva do imponderável. Teimo, mesmo depois de parar no obstáculo intransponível. Saúdo a vida, mesmo depois de despertar para o vazio trágico.

Se não sabia contar os anos, teimo em tutelar o instante. Se havia me perdido, não deixo a alma suja; o soro que talha o leite não vai me azedar. Passo unguento nas raladuras. Fecho os olhos para o feitiços odioso. Marcho adiante.

No escuro da cacimba, noto que meu rosto turvo continua a sorrir. O ribeiro murmura; deixo que seu lamento acalme o meu coração. Admiro a maré eterna; ela cadencia a violência do meu porvir.

Musgos, heras, cardos, se apegaram à minha alma. Transformo as mãos em tesouras de jardineiro. Deixo a rede, que range no armador, aquietar o meu sono ansioso.

Tentei fugir e acabei entregue a mim mesmo. Devaneios serviram para ancorar a minha jangada no porto da realidade. Utopias me enraizaram. Delirei. Agora sento na cadeira de balanço da lucidez adulta.

Ventanias assobiam pelas frestas do meu castelo, outrora, inexpugnável. Minha adolescência afoita dilui-se em esperança. Escancaro janelas e portas da minha casa frágil. Volto-me para o sopro selvagem. Acolho o vendaval que espalha o pó da minha vaidade.

Respingos de uma tempestade inclemente lavam a minha tristeza. Inspiro a alvorada úmida. Saúdo o sol tímido; peço-lhe que me guie durante o dia.

Trago pedregulhos ásperos na aljava. Não coleciono raridades. Até meus maiores tesouros não passam de pedras semi-preciosas. Não vou leiloar o que amo. Procuro passar cadeado nas riquezas que me sensibilizam. Aviso às raposas: "não destruam as minhas vinhas". Chacais não vão entrar na alcova onde guardo os que tanto amo.

Consternado, noto que um vazio tenebroso embaçou os olhos dos meus companheiros. Entristecido por vê-los roubados da vida, tatuo na pele o mandamento de viver com intensidade. E para não perder a alma, marco, a ferro, o dever de amar. Amar a beleza, a vida, a justiça, o bem.

Quando não fizer sentido, basta-me a paz; paz que excede todo o entendimento. Mesmo quando não agradar, sei que posso ouvir: “tu és meu filho amado em quem meu coração está satisfeito”.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim